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Todo mundo quer crescer?

14 de Agosto, 2026 | Artigo

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Durante muito tempo, construímos uma ideia relativamente simples de crescimento profissional: assumir uma posição maior, liderar mais pessoas, responder por um orçamento mais relevante e chegar cada vez mais perto do topo da organização. Dentro dessa lógica, recusar uma promoção pode parecer falta de ambição. Não demonstrar interesse por uma posição de liderança pode ser interpretado como acomodação. Permanecer por vários anos na mesma função pode gerar a impressão de estagnação. Mas será que todo profissional realmente quer crescer dessa forma?

Essa é uma das perguntas que os líderes deveriam se fazer antes de desenhar planos de carreira, sucessão e desenvolvimento. Nem todas as pessoas desejam ocupar posições mais altas. Algumas querem aprofundar seus conhecimentos, ampliar sua autonomia ou participar de projetos mais complexos, sem necessariamente assumir a gestão de uma equipe ou uma cadeira executiva. Isso não significa ausência de ambição.

A ambição também pode estar relacionada à excelência técnica, à liberdade de atuação, ao domínio de uma especialidade ou à possibilidade de gerar impacto sem assumir responsabilidades que não fazem sentido para aquele momento de vida. Contudo, precisamos ter consciência de que o mundo não opera sob essa interpretação mais ampla.

Em muitas companhias, o profissional de alto desempenho acaba sendo direcionado quase automaticamente para a liderança. Como entrega bons resultados, passa a coordenar pessoas. Como conhece profundamente o negócio, torna-se gerente. Como é uma referência técnica, espera-se que assuma uma posição executiva. Nem sempre, porém, desempenho técnico e interesse por liderança caminham juntos.

Ao promover alguém sem compreender suas reais motivações, a empresa pode perder um excelente especialista e ganhar um gestor pouco interessado na função. O profissional, por sua vez, passa a lidar com conflitos, decisões de pessoas, cobranças e responsabilidades que talvez nunca tenha desejado assumir. E assim passamos a perder bons profissionais. É claro que, em grande parte das vezes, o crescimento está relacionado a um maior ganho financeiro. Mas, de maneira geral, se o profissional não ocupar um escopo maior, é muito difícil que ele seja reconhecido.

Isso também vale para executivos que já ocupam posições de liderança. Existe uma expectativa frequente em relação ao próximo passo: uma organização mais relevante, uma equipe mais ampla, uma remuneração mais alta ou uma cadeira com mais visibilidade. Mas nem todo movimento precisa ser vertical. Em alguns momentos, crescer pode significar entrar em um setor diferente, participar de uma transformação relevante, assumir um desafio com maior complexidade ou encontrar uma organização mais alinhada àquilo que o executivo valoriza.

Há também fases em que o profissional simplesmente não deseja ampliar suas responsabilidades. Pode estar priorizando a família, a saúde, os estudos ou uma rotina mais equilibrada. Isso não elimina sua capacidade de contribuição nem reduz o valor de sua trajetória. O papel da liderança não é convencer todas as pessoas a subir. É compreender qual caminho faz sentido para cada uma delas e avaliar se a organização consegue oferecer esse espaço. Só não podemos perder bons profissionais por presumirmos que todo mundo gostaria de ser uma liderança.

Essa conversa exige mais profundidade do que perguntar onde o profissional pretende estar em cinco anos. Exige entender o que ele deseja preservar, quais responsabilidades está disposto a assumir, quais experiências procura e o que não quer mais repetir em sua carreira. Também exige maturidade para reconhecer que nem sempre os interesses da pessoa e da organização estarão alinhados.

Uma empresa pode precisar de alguém disposto a liderar uma área, enquanto o profissional deseja continuar em uma atuação técnica. Um executivo pode buscar mais autonomia, enquanto a estrutura oferece pouca margem de decisão. Nessas situações, transparência é mais saudável do que tentar encaixar alguém em um caminho que não escolheu.

Antes de perguntar até onde alguém quer crescer, talvez seja mais importante perguntar: O que crescimento significa para essa pessoa?

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