Evermonte

A diversidade não virá do tempo. Virá da intenção.

18 de Junho, 2025 | Artigo

Ir para o artigo

Nos conselhos, o discurso já mudou. Fala-se em pluralidade, em vozes complementares, em ampliar o repertório à mesa. A diversidade ganhou espaço na narrativa e virou quase consenso entre os líderes. Mas ainda não virou prática.

As empresas dizem que querem mais mulheres nos conselhos. Mas, quando a vaga aparece, os nomes lembrados são os mesmos. Há um desejo por renovação mas quase nenhuma ação para torná-la viável antes da necessidade. A ideia de que o tempo, sozinho, trará essa transformação continua sendo aceita como suficiente.

Só que não vai.

A pesquisa Women at the Top, do Evermonte Institute, mostra com clareza: o que falta não é preparo técnico. O que falta é estrutura. Falta visibilidade antes da hora. Falta intenção institucional de formar essas lideranças com tempo, com estratégia e com legitimidade antes que a cadeira fique vaga.

Capítulo 01 O tempo virou uma justificativa (pouco plausível)

Ainda existe uma crença de que a diversidade vai acontecer naturalmente, com o tempo. Mas os dados apontam o contrário.

A maioria das conselheiras só chegou ao board após os 40 anos, com passagem pelo C-Level, múltiplas formações e reconhecimento no mercado. Mesmo assim, enfrentaram barreiras de entrada. Mesmo assim, só foram nomeadas após forte validação externa. Ou seja: o tempo de carreira não garante acesso. Sem estrutura, o tempo apenas perpetua o padrão.

Enquanto a lógica for “esperar amadurecer”, a renovação seguirá sendo adiada e a composição dos conselhos seguirá igual.

Capítulo 02 A visibilidade ainda é relacional

Mesmo com mais certificações, as mulheres demoram mais para acessar os conselhos. A barreira não é técnica. É simbólica. Quem não circula, não é lembrado. E boa parte das executivas ainda está fora das redes onde essas decisões são tomadas.

A presença em conselhos consultivos, comitês, fóruns estratégicos e grupos de governança continua restrita. Isso reduz a exposição, a percepção de prontidão e a chance de ser indicada. Como disse uma das conselheiras entrevistadas: “Se ninguém souber que você quer estar ali, como vão te indicar?”

Currículo ajuda. Mas não resolve. O que abre portas é reputação ativa. Presença política. E conexões intencionais.

Capítulo 03 A preparação precisa começar antes da vaga

A maioria das empresas já conta com mulheres em posições-chave. Mas poucas as reconhecem como sucessoras legítimas para o conselho nem no próprio board, nem como indicações externas. A desconexão está na prática: essas mulheres não estão sendo expostas a governança, estratégia, risco, reputação. Não estão sendo treinadas nem legitimadas para esse papel.

E, quando a cadeira abre, não há tempo para formar ninguém.

Quem quer ampliar a diversidade nos conselhos precisa começar agora – dando acesso a comitês críticos, envolvendo essas lideranças nas decisões mais sensíveis, conectando com conselheiros experientes e com headhunters ativos no mercado. Incentivar formações específicas em governança, ESG, reputação e compliance faz parte do processo, mas não substitui o que realmente conta: construir legitimidade visível com antecedência.


Diversidade não se alcança por decreto. Se constrói com intenção e antecedência.

Não se trata de “quem está pronto”. Se trata de quem poderia estar mas ainda não foi lembrado.

Compartilhar

Acesso antecipado

Receba as próximas pesquisas do NIE direto no seu inbox.

Análises trimestrais sobre remuneração, sucessão, estrutura organizacional e tendências executivas assinadas pelo time Evermonte.

Inscreva-se no Institute Hub

Continue a leitura

Artigo

RH, olhe para sua própria carreira

Vamos direto ao ponto: o RH está sempre olhando para a carreira dos outros e quase nunca para a sua própria. Mas e quando o assunto é você? Sua evolução? Seus próximos passos?

Ler conteúdo
Artigo

Qual o custo da demissão de um CEO?

Quando uma companhia decide demitir seu CEO, a primeira conta costuma ser a mais óbvia: rescisão, bônus, incentivos de longo prazo, cláusulas contratuais e outros compromissos assumidos com aquele executivo. Dependendo do caso, são valores relevantes...

Ler conteúdo
Artigo

Por que a remuneração pode não ser o maior atrativo para o COO?

Quando uma empresa precisa atrair um COO de alto nível, é natural que a discussão comece pelo pacote de remuneração. Quanto precisamos pagar? Qual é o variável? Existe incentivo de longo prazo?Tudo isso é realmente importante. Mas, em muitos processo...

Ler conteúdo
Fale por WhatsApp