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CFO e riscos digitais: qual a importância da liderança de finanças na temática da cibersegurança?

24 de Julho, 2024 | Artigo

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Não é segredo que, nos últimos anos, a atenção direcionada à segurança de dados tem aumentado significativamente. Esse cenário demonstra uma evidente preocupação não apenas com a saúde financeira das companhias, mas, sobretudo, com sua imagem perante os stakeholders.

Os riscos digitais, intrínsecos às organizações contemporâneas, demandam um gerenciamento estratégico e decisivo que, com frequência, vem sendo suportado pelo Chief Financial Officer. Não porque cibersegurança seja, por natureza, um problema financeiro — mas porque suas consequências quase sempre são.

Capítulo 01 O Brasil entre os mais preocupados com risco cibernético

Empresas brasileiras estão se mostrando cada vez mais apreensivas com os riscos digitais, principalmente em função de episódios de vazamento de dados ocorridos com organizações de capital aberto. E o dado mais expressivo dessa virada vem de uma comparação internacional.

83%

das organizações brasileiras previam aumento nos gastos cibernéticos em 2022, contra 69% da taxa mundial, segundo a pesquisa Global Digital Trust Insights Survey. O Brasil está entre os países mais sensíveis ao tema — e com razão.

Essa nova percepção sobre segurança cibernética é fruto, em parte, do papel interdisciplinar exercido pelos CFOs. Uma falha grave pode resultar em danos irreversíveis à reputação, quebra da confiança dos públicos de interesse e, por consequência, perdas financeiras proporcionalmente expressivas.

Embora seja uma responsabilidade coletiva, a liderança da área de finanças precisa saber como realizar orçamentos, destinar recursos e priorizar os investimentos em cibersegurança. Enquanto outros setores orientam seus esforços a ações específicas, a maior tarefa do CFO é construir uma consciência compartilhada sobre os impactos dos riscos digitais, impulsionando uma visão global efetivamente inclinada à segurança na conjuntura tecnológica.

Capítulo 02 Uma visão global, uma cadeira interdisciplinar

A liderança de finanças tem um papel interdisciplinar — interage com todos os departamentos da companhia. Detendo essa visão global dos acontecimentos organizacionais, o CFO pode realizar análises periódicas, garantir que as medidas de cibersegurança sejam cumpridas e implementar os controles necessários em caso de ataques ou chantagens relacionadas ao vazamento de dados.

Em um contexto de superabundância de dados, identificar os perigos dos espaços virtuais é imprescindível para que o CFO se torne uma posição ainda mais demandada. Agir com diligência e multidisciplinaridade frente a essa temática expressa a relevância estratégica que a cadeira vem adquirindo ao longo dos anos.

"Existem diversas maneiras de calcular os efeitos de um ataque cibernético, mas seus danos sempre serão medidos em termos financeiros. Por essa razão, a atuação do Chief Financial Officer torna-se substancial no processo de avaliação de riscos e alocação de verbas à cibersegurança."

— Evermonte

Capítulo 03 O que os CEOs brasileiros pensam sobre ciberataques

A líder mundial em cibersegurança, Palo Alto Networks, realizou um estudo com 500 CEOs de companhias brasileiras com mais de 500 funcionários para entender a percepção sobre ciberataques. Os números revelam uma combinação de exposição alta e preparação insuficiente.

Dado 01

34% pagariam resgate

Mais de um terço dos CEOs entrevistados afirma que pagaria o resgate para liberar sistemas e recuperar dados em caso de ataque — um sinal de que a maioria reconhece a gravidade do impacto operacional.

Dado 02

21% sem plano estruturado

Cerca de um em cada cinco CEOs admite não ter um plano estruturado para lidar com situações de ameaça ou falhas na cibersegurança. A falta de plano é, em si, parte do problema.

Esses dois números, lidos juntos, contam uma história: muitas empresas brasileiras reconhecem o tamanho do risco, mas ainda não traduziram esse reconhecimento em estrutura de resposta. Mais do que nunca, a preocupação deve iniciar no C-Level — e mais especificamente, na liderança de finanças.

Com base em uma perspectiva macro da companhia, o CFO pode colaborar de forma considerável no desenvolvimento de um plano de contingência para riscos desse gênero, além de inspirar mudanças e criar uma frente unida contra ataques junto a seus parceiros estratégicos.

Capítulo 04 Quando o ataque vira dado financeiro: cases Renner e JBS

Dois casos brasileiros recentes ajudam a dimensionar como ataques cibernéticos se traduzem em impacto financeiro real e mensurável — exatamente o tipo de tradução que torna o CFO uma figura central nessa pauta.

Case 01 · Lojas Renner

Queda de 1,5% nas ações

Em 19 de agosto de 2021, a Renner enfrentou polêmica de vazamento de dados. A empresa afirmou que não houve evidência de vazamento de informações pessoais. Ainda assim, a simples possibilidade do ataque hacker fez as ações caírem 1,5% no pregão seguinte.

Case 02 · JBS

US$ 11 milhões em resgate

A JBS teve operações paralisadas após ataque de ransomware do grupo REvil. Pagou US$ 11 milhões aos hackers para evitar o vazamento. O episódio gerou efeito dominó no setor, com encarecimento dos preços da carne no atacado nos EUA.

Os dois casos ilustram pontos diferentes da mesma lógica: mesmo sem confirmação de vazamento, a percepção pública move o preço da ação (caso Renner); e mesmo pagando o resgate, os impactos se estendem para muito além do valor desembolsado (caso JBS, com cadeia produtiva inteira afetada). Em ambos os cenários, a conta volta para o CFO.

Capítulo 05 Da prevenção ao controle: o CFO em toda a cadeia

Partindo do pressuposto de que, independentemente da origem dos riscos, haverá implicações financeiras, o papel do CFO se mostra fundamental em distintos níveis dentro do âmbito organizacional. Da prevenção às ações de controle e redução de perdas, sua importância é incontestável.

Cibersegurança deixou de ser um tema técnico restrito à TI. É uma agenda que passa pela governança, pelo conselho, pela imagem da marca e, no fim de tudo, pelo caixa. O CFO é o profissional que tem, ao mesmo tempo, autoridade orçamentária, leitura interdisciplinar e responsabilidade direta sobre os números que medem o tamanho do estrago — quando ele acontece.

Talvez por isso a pergunta certa não seja "qual o papel do CFO na cibersegurança?", mas sim: quem mais, na companhia, está mais bem posicionado para integrar essa agenda às demais decisões estratégicas?

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