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“Eu, como CFO, poderia fazer muito mais”. Você sente o mesmo?

13 de Junho, 2025 | Artigo

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Muitos CFOs estão percebendo que suas organizações não estão acompanhando a evolução de suas funções. Ou seja, enquanto algumas companhias investem em tecnologia e processos de automação na área financeira, outras continuam fechando os olhos para a inovação. É claro que não há problema algum em continuarmos nos beneficiando da praticidade de ferramentas usuais, mas em algum momento o conservadorismo acabará por nos engolir por completo.

Já falei sobre isso diversas vezes, mas ainda acho importante dizer que a maior mudança precisa começar por quem está à frente da área de Finanças. Sim, as empresas precisam dar abertura a movimentos de inovação, mas os CFOs também precisam estar dispostos – e continuamente preparados – para conduzir a transformação que se espera para uma das áreas mais estratégicas de qualquer companhia.

Como muitos sabem, conduzo múltiplas posições de alta gestão para a área de Finanças, e recentemente conversei com um CFO cujo motivo para a decisão de movimentar-se foi justamente a falta de alinhamento entre expectativas sobre o futuro – dele e do negócio. “Eu sei que posso fazer muito mais”, foi o que eu ouvi. E essa é uma dura realidade. Muitos profissionais extremamente qualificados percebem que suas organizações ainda não acompanham a evolução do seu papel – e acabam buscando empresas onde possam atuar de forma mais estratégica e influente.

Então, vejo apenas um cenário possível: o que antes era uma função focada na estabilidade e no controle financeiro agora exige uma atuação multidisciplinar e cada vez mais inovadora. Sim, bastante complexo, mas precisamos lidar com as mudanças que estão acontecendo ao nosso redor. Logo, os CFOs do futuro serão aqueles que conseguirem transformar números em estratégia e dados em vantagem competitiva – ao passo que também tornam a área financeira um exemplo para toda a companhia. Mas quais são as características que definem esse novo perfil?

A liderança financeira precisa…

Capítulo 01 1. Olhar para a inovação de maneira contínua – e ser o primeiro a levantar a mão quando alguém pergunta sobre Inteligência Artificial

A inteligência artificial deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade estratégica. CFOs que dominam a aplicação da IA em finanças conseguem automatizar processos, reduzir riscos e aprimorar previsões financeiras. Mais do que isso, eles integram essa tecnologia à cultura da empresa, garantindo que insights preditivos direcionem decisões de alto impacto. Segundo a PwC, 39% dos CFOs planejam implementar IA em larga escala até 2025. Além disso, avanços em machine learning e análise preditiva estão permitindo que CFOs aprimorem a gestão de fluxo de caixa e tomem decisões financeiras baseadas em dados em tempo real.

Capítulo 02 2. Não existe “onda ESG”. Algumas empresas continuam se preocupando com o futuro, e outras não. Em qualquer cenário, os CFOs precisam ser protagonistas desse movimento.

Os CFOs do futuro não enxergam ESG apenas como um requisito regulatório, mas como um fator crítico para atrair investidores e aumentar a resiliência financeira da empresa. A capacidade de mensurar e comunicar com precisão o impacto ambiental, social e de governança tornou-se essencial para fortalecer a marca e impulsionar a confiança do mercado. Empresas com estratégias ESG bem estruturadas conseguem não apenas se destacar, mas também obter vantagens competitivas sustentáveis. Além disso, com a crescente exigência de transparência em relatórios ESG, CFOs estão assumindo um papel fundamental na governança desses dados e na formulação de estratégias de longo prazo alinhadas à sustentabilidade.

Capítulo 03 3. Não importa se o mundo é incerto. Precisamos fazer o nosso trabalho.

O mundo corporativo opera em um cenário de volatilidade extrema, com riscos financeiros, regulatórios e cibernéticos crescendo exponencialmente. O novo CFO precisa adotar uma abordagem preditiva, utilizando análise de dados avançada para antecipar crises e desenvolver estratégias de mitigação de riscos. Com a crescente sofisticação dos ataques cibernéticos e novas regulamentações globais, a segurança digital tornou-se uma preocupação central. CFOs precisam atuar lado a lado com CIOs para garantir que a empresa esteja protegida contra ameaças e para integrar práticas robustas de compliance financeiro e segurança da informação.

Capítulo 04 4. Se quisermos crescer, precisamos fomentar o crescimento conjunto.

A tecnologia sozinha não gera crescimento sustentável. O CFO moderno entende que o sucesso da empresa depende de sua capacidade de integrar tecnologia, estratégia e pessoas. Isso significa atuar como um conector entre diferentes áreas, garantindo que inovação, automação e desenvolvimento de talentos caminhem juntos. Em um contexto de transformação digital acelerada, CFOs estão assumindo um papel ativo na definição de novos modelos de negócios, realocação de capital para inovação e adaptação ágil às mudanças do mercado.

Capítulo 05 5. Como estabelecer parcerias e influenciar pessoas? Sendo um bom líder para qualquer um da sua companhia

O CFO não é mais apenas um executor de estratégias financeiras, mas um influenciador na definição dos rumos da empresa. Sua comunicação precisa ir além dos relatórios – ele deve ser capaz de traduzir complexidade em clareza, articulando visões estratégicas que engajem conselhos, investidores e equipes internas. O impacto de um CFO não se mede apenas em números, mas na sua capacidade de mobilizar pessoas e transformar ideias em ações concretas. Além disso, a digitalização financeira e o uso estratégico de ERP e automação permitem que CFOs aumentem a eficiência operacional e garantam que sua influência seja respaldada por insights baseados em dados.


No ano passado, escrevi um texto bastante semelhante a este que escrevo agora. E já percebo mudanças substanciais no perfil do CFO que tem sido demandado pelas companhias. A realidade do mercado brasileiro é extremamente volátil, e é justamente por isso que devemos estar atentos às mudanças – em tempo real e com a proatividade necessária para acompanhá-las. E, diante desse novo cenário, surge uma questão que, embora muitos tentem evitar, precisa de atenção: quantos CFOs, hoje, estão realmente preparados para liderar uma mudança significativa em suas organizações? O tempo dirá – mas eu, particularmente, estou com boas expectativas.

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