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No board, finanças é o perfil número 1

10 de Julho, 2025 | Artigo

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32,7%.

Esse é o percentual de conselheiros que vêm da área de Finanças, segundo o estudo Women at the Top, do Evermonte Institute. Esse não é um dado solto. É um retrato claro de uma mudança estrutural — e de uma preferência que, embora antiga, ganha novos contornos.

Afinal, o que explica esse protagonismo financeiro nos conselhos? Por que esse perfil, em meio a tantas transformações, continua sendo chamado para a mesa?

A resposta é simples: em momentos de incerteza, o critério muda. Sai o perfil genérico de liderança. E entra quem sustenta a tomada de decisão com consistência técnica, leitura de risco e visão de longo prazo.


Durante muito tempo, a lógica de composição dos conselhos foi centrada em reputação e capital relacional. O título de CEO resolvia muita coisa. A história de vida também. Mas o cenário mudou — e com ele, as exigências sobre quem ocupa a cadeira.

Hoje, os boards têm buscado outra coisa: precisão. Querem quem sabe fazer leitura de cenário, entender impacto financeiro, antecipar distorções. Querem quem sabe dizer “não” com clareza — e sustentar o porquê.

E é exatamente por isso que os profissionais de Finanças seguem ganhando espaço. No estudo, entre os homens que ocupam posição em conselho, Finanças aparece como a origem funcional mais recorrente: 32,7% vêm dessa área. Em seguida, aparecem Negócios (30,2%) e Operações (20,4%). Três campos diretamente associados à geração de valor, controle e eficiência.

A leitura aqui não é só técnica. Ela é política.

Em um ambiente cada vez mais pressionado por margem, retorno e governança, os conselhos escolhem quem traz o olhar de racionalidade. E mais: escolhem quem passou por isso na prática. É um padrão claro. E ele diz muito sobre o que o mercado valoriza quando o assunto é governança estratégica. Mas há um segundo nível de leitura aqui — e talvez o mais importante.

A composição técnica dos conselhos, quando muito homogênea, começa a gerar ruído. Não porque falta capacidade. Mas porque, em alguns momentos, falta contraste. E é aí que entra um ponto muitas vezes negligenciado: para que o conselheiro de Finanças consiga entregar todo o seu potencial estratégico, ele precisa estar cercado de vozes que enxerguem o que os números ainda não mostram.

O estudo mostra que, enquanto os homens tendem a chegar ao board com trajetórias majoritariamente construídas em Finanças, Negócios e Operações, as mulheres que ocupam essas cadeiras trazem backgrounds mais plurais. Jurídico, Comunicação, RH, Sustentabilidade Esses perfis não substituem o olhar técnico. Eles o amplificam. Permitem que o conselheiro com formação financeira vá além da análise fria — e traga uma leitura mais completa de impacto, contexto e consequência.

Essa combinação é o que faz a estratégia ganhar robustez. Porque, no fim das contas, quem vem de Finanças já carrega a régua. Mas ninguém governa sozinho. E nenhum número, por mais preciso que seja, explica tudo.

Conselhos mais preparados são aqueles que sabem extrair o melhor dos seus especialistas — e que constroem um ambiente onde diferentes visões sustentam decisões com mais solidez.

O perfil de Finanças continua sendo um dos mais estratégicos da governança corporativa. A provocação não é se ele vai continuar no board — é como as empresas vão garantir que ele tenha as condições certas para influenciar com ainda mais impacto.

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