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Novo semestre. Novos riscos. Mesmos dilemas.

13 de Junho, 2025 | Artigo

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Já ouvi de alguns CFOs, nas últimas semanas: “Está mais difícil decidir do que executar.” E entendo perfeitamente o motivo.

O segundo semestre ainda nem começou — mas os sinais já estão todos na mesa: dólar instável, juros em alta, fluxo de capital volátil e um mercado que oscila entre otimismo e cautela em questão de dias. Tudo isso pressiona a área financeira de um jeito cada vez mais complexo — e cada vez menos linear.

O problema não está nos riscos em si. Está na velocidade com que eles mudam.

Por isso, resolvi organizar aqui os quatro pontos que mais têm aparecido nas conversas com CFOs — seja na busca por novos desafios, seja no desafio de continuar entregando em ambientes que mudam o tempo todo.


Capítulo 01 1. Câmbio instável. Crédito mais raro.

O real se recuperou um pouco no início do ano, mas o mercado já projeta o dólar de volta a R$6 até dezembro. Isso, somado à fuga de capital estrangeiro da bolsa e à nova guerra comercial EUA-China, torna qualquer planejamento financeiro uma operação de risco.

Se a empresa depende de importados, tem dívida em dólar ou está pensando em captar, o tempo é agora — ou já foi. O acesso ao crédito externo ficou mais caro. As janelas de emissão se estreitaram. E o mercado local não tem sido mais amigável: debêntures em queda, IPOs parados, spread subindo.

Capítulo 02 2. O custo de continuar andando

A inflação desacelerou, mas não o suficiente. Ainda está acima da meta, com núcleos que insistem em resistir — serviços, salários, energia. Enquanto isso, a Selic foi a 14,75% e pode subir mais.

Ou seja: está caro crescer, caro manter e caro errar.

Para o CFO, isso bate de dois lados. De um lado, o custo de capital pressiona qualquer plano de investimento. De outro, a instabilidade dos preços dificulta o repasse e comprime a margem. Nem todo setor consegue ajustar preço. E nem todo cliente aceita.

Capítulo 03 3. Baixo ritmo, alto risco

As projeções caíram. O FMI agora fala em 2,8% de crescimento global. No Brasil, a previsão é de 1% — com alguns bancos já desenhando cenário de recessão técnica no segundo semestre.

Mas o ponto não é só o número. É o que está por trás dele: consumo fraco, crédito caro, exportações em retração. E, por cima, cadeias de suprimento que seguem expostas a tarifas, conflitos e reconfiguração geopolítica.

O que funcionava até ontem pode travar amanhã — e sem muito aviso.

Empresas que seguem operando com base em projeção linear, estoque padrão ou plano de expansão sem contingência estão expostas. Esse é o semestre onde planejamento precisa virar reação rápida.

Capítulo 04 4. Mais carga. Menos margem.

O cenário fiscal continua no limite — e o impacto nas empresas está cada vez menos indireto. Corte de benefícios, revisão de regimes, aumento da cobrança automatizada. Tudo ao mesmo tempo.

No Congresso, há avanço sobre a taxação de offshores, o fim do JCP e a regulamentação do Imposto Mínimo Global. Nos tribunais, decisões sobre ICMS, créditos de PIS/COFINS e incentivos estaduais seguem em disputa — e com efeito imediato na DRE.

É pressão em cima e incerteza embaixo. Neste semestre, a defesa da margem passa também pela defesa da estrutura tributária.


O segundo semestre talvez não seja o mais difícil. Mas é, com certeza, o menos confiável. Os sinais mudam rápido. As decisões têm impacto imediato. E a margem de erro encurtou.

Nas conversas que temos com conselhos, investidores e executivos, o que mais aparece não é dúvida sobre o cenário — é urgência sobre como responder a ele.

O CFO certo não é o que acerta tudo. É o que sabe quando manter, quando ajustar e quando parar.

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