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O CFO ainda é o executivo mais bem remunerado depois do CEO?

31 de Agosto, 2026 | Artigo

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Durante muito tempo, a resposta para essa pergunta parecia relativamente óbvia. Em boa parte das estruturas executivas, o CFO ocupava uma posição muito próxima ao CEO em relevância, exposição ao conselho e remuneração. Nos últimos anos, porém, outras cadeiras ampliaram significativamente seu escopo. Operações passou a responder diretamente por produtividade e eficiência, Comercial e Receita ganharam peso sobre margem e qualidade do crescimento, enquanto Tecnologia assumiu responsabilidades cada vez mais críticas para a estratégia.

Diante dessa transformação, vale perguntar se a hierarquia de remuneração acompanhou a mudança. Mas os dados do Report de Remuneração Diretoria Executiva 2026, da Evermonte, mostram que sim, o CFO continua sendo o executivo mais bem remunerado depois do CEO quando analisamos a remuneração anual total de curto prazo — embora os números também mostrem que essa resposta precisa de algumas ressalvas.

Capítulo 01 O CFO continua em segundo lugar nos três portes de companhia

O levantamento analisou a remuneração das principais posições executivas em três faixas de faturamento. Em companhias de até R$ 500 milhões, a remuneração anual total de curto prazo do CFO é de aproximadamente R$ 881 mil, enquanto a do CEO chega a R$ 1,33 milhão. Entre organizações com faturamento de R$ 500 milhões a R$ 5 bilhões, o CFO passa para R$ 1,35 milhão, diante de R$ 2,16 milhões para o CEO. Já nas companhias acima de R$ 5 bilhões, a remuneração do CFO alcança R$ 2 milhões, enquanto a do CEO se aproxima de R$ 4,8 milhões.

Em todos os recortes, portanto, Finanças permanece como a cadeira com maior remuneração depois da liderança executiva. Isso é especialmente relevante porque o estudo considera o pacote de curto prazo de forma integrada, combinando remuneração fixa e bônus realizado, e não apenas salário-base.

Capítulo 02 O salário fixo conta apenas uma parte dessa história

Quando olhamos exclusivamente para a remuneração fixa, a posição do CFO já não é tão absoluta. Nas empresas acima de R$ 5 bilhões, por exemplo, o COO apresenta uma remuneração fixa anual média de aproximadamente R$ 1,29 milhão, acima dos R$ 1,20 milhão observados para o CFO. Ainda assim, ao incorporar o bônus, o CFO termina o ciclo com uma remuneração anual de R$ 1,995 milhão, diante de R$ 1,850 milhão do COO.

A diferença está justamente na composição do pacote. Nesse porte de companhia, o CFO recebe um bônus realizado equivalente a oito salários, enquanto o COO registra 5,81 salários. Ou seja, a segunda posição do CFO no ranking de remuneração não é explicada simplesmente por um salário-base superior. Ela também reflete uma parcela variável relevante, associada ao nível de responsabilidade e aos resultados esperados dessa cadeira.

Esse ponto ajuda a entender uma mudança importante na remuneração executiva. Quanto maior a senioridade e a exposição do executivo às decisões que afetam diretamente o resultado, menos sentido faz analisar sua remuneração apenas pelo componente fixo.

Capítulo 03 E a distância para outras posições está diminuindo

Talvez o dado mais interessante apareça justamente quando analisamos as maiores companhias. Acima de R$ 5 bilhões de faturamento, o CFO recebe cerca de R$ 1,995 milhão em remuneração anual de curto prazo, mas outras cadeiras aparecem bastante próximas: o CRO chega a R$ 1,907 milhão, a Diretoria de Unidade de Negócios a R$ 1,890 milhão e o COO a R$ 1,850 milhão.

Na prática, a diferença entre o CFO e esses executivos fica abaixo de 8%. Isso mostra que, embora exista uma hierarquia quando olhamos para as medianas do mercado, ela está longe de ser rígida. Escopo, responsabilidade sobre resultado, complexidade do negócio e desenho de incentivos podem aproximar bastante cadeiras diferentes dentro da mesma organização.

O CRO é um bom exemplo. Nas empresas acima de R$ 5 bilhões, seu salário fixo anual é inferior ao do CFO, mas seu bônus realizado chega a 11 salários. O desenho do pacote reflete uma posição cuja remuneração está fortemente vinculada à geração e à qualidade da receita.

Capítulo 04 Por que o CFO continua tão valorizado?

A resposta passa pela transformação da própria posição. A cadeira passou a participar de decisões sobre alocação de capital, estrutura de custos, planejamento, investimentos, estratégia e transformação. No próprio Report, destacamos que direcionamento estratégico e alocação de capital estão entre as competências mais valorizadas para a posição, acompanhadas por business partnering, influência e uma agenda técnica cada vez mais associada a inteligência artificial, automação e evolução de FP&A. O CFO passa, portanto, a ser medido pela capacidade de melhorar a qualidade das decisões do negócio e de transformar informações financeiras em um direcionamento claro.

Esse aumento de escopo ajuda a explicar por que sua remuneração variável permanece relevante. Quanto mais a posição influencia decisões que afetam capital, margem, eficiência e retorno, maior tende a ser a necessidade de conectar parte do pacote ao desempenho da companhia.

Capítulo 05 Então, o CFO ainda é o número dois?

Se o critério for a remuneração anual total de curto prazo observada no mercado, sim. O CFO continua ocupando a segunda posição nos três portes de companhia analisados pelo estudo.

Mas talvez o ponto mais importante esteja além do ranking. A distância entre CFO, CRO, COO e outras posições executivas diminui à medida que o porte e a complexidade da organização aumentam. Isso indica que a remuneração está cada vez menos relacionada apenas ao nome da cadeira e cada vez mais ao escopo efetivo de responsabilidade, à exposição aos resultados e ao desenho dos incentivos.

Também é importante fazer uma última ressalva: este comparativo considera a remuneração fixa e o bônus realizado de curto prazo. O estudo apresenta ainda a prevalência de incentivos de longo prazo por posição, mas esse indicador, isoladamente, não permite estabelecer o mesmo ranking considerando o valor econômico total desses incentivos. A própria metodologia do Report reforça que remuneração executiva deve ser analisada como um conjunto de camadas, evitando transformar um único número em uma referência absoluta.

Por isso, mais interessante do que perguntar apenas qual executivo recebe mais é entender o que a companhia está remunerando em cada cadeira. No caso do CFO, os dados mostram que o mercado continua atribuindo um valor relevante à posição, mas também revelam uma liderança financeira cada vez mais cobrada por impacto direto sobre as decisões e sobre o resultado do negócio.

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