Há dez anos atrás, as competências de grande parte dos líderes de finanças ainda estavam ligadas a aspectos meramente numéricos. Entretanto, o perfil do CFO vem sendo drasticamente modificado ao longo do tempo, sobretudo devido à ampliação do seu escopo de atuação, que hoje contempla questões relacionadas à digitalização, ao gerenciamento de riscos, à adaptabilidade e à comunicação. Sem dúvidas, entender sobre os números da empresa é a maior singularidade do CFO, mas, para ultrapassar o âmbito convencional e tornar-se uma opção autêntica para a posição de Diretoria Executiva, seus esforços devem ser multidisciplinares.
De forma geral, seis conceitos são imprescindíveis para CFOs que desejam ocupar o cargo de Chief Executive Officer: administração, operação, estratégia, dinamismo, gestão de pessoas e interdisciplinaridade. Os dois primeiros são fundamentais para qualquer liderança da área financeira, contudo, os outros quatro têm sido fortemente demandados para o processo de transição a CEO, e incluem ações que vão muito além dos números.
Nesta Newsletter, o objetivo não é dizer como você pode chegar à Diretoria Executiva, mas ajudá-lo a decidir onde pode investir seu tempo e energia para fazê-lo, sobretudo se estiver disposto a pensar fora da caixa e agir disruptivamente.
Capítulo 01 1. Administração
Os administradores são responsáveis por proteger e preservar os ativos críticos da organização, garantindo que todos os resultados estejam alinhados aos seus objetivos. Além disso, possuem um conhecimento profundo sobre a realidade financeira do negócio, caracterizando-se como norteadores das decisões relacionadas a investimentos, otimização de processos internos e sustentabilidade econômica.
Capítulo 02 2. Operação
No que se refere à operação, os CFOs devem saber exatamente o quê, quando e como fazer aquilo que propõem, de maneira a potencializar os efeitos do seu trabalho com eficiência e eficácia. Contudo, preciso ser franco. Saber administrar e colocar o planejamento em prática é o mínimo que se espera de um CFO. Por isso, destaco abaixo quatro outros aspectos que devem ser considerados por lideranças cujos anseios de carreira incluem chegar à cadeira de CEO.
Capítulo 03 3. Estratégia
Quando falo sobre estratégia, não me refiro apenas à atuação direcionada e fundamentada por dados. O que quero dizer é que o CFO precisa, urgentemente, estruturar uma imagem estratégica. Algo que percebo com frequência é um posicionamento introspectivo e pouco relacional no que diz respeito a outras áreas. É necessário quebrar essa redoma e estabelecer-se frente ao C-Suite e demais lideranças como um exemplo de segurança, estabilidade e confiança. E isso só será possível através da presença contínua. Estar submerso na certeza dos números é realmente tentador, mas, se optar por não evidenciar seu potencial, pode colocar seu futuro em jogo.
E a estratégia tem como base, via de regra, o cliente final. Ou seja, qual a dor do cliente final? Dificilmente você conseguirá transcender essa posição se somente olhar planilhas e o ERP, visto que o CEO necessita, em última instância, entender e solucionar as dores desse cliente. Sem isso, a existência da empresa será bastante complicada.
Capítulo 04 4. Dinamismo
CFOs dinâmicos conseguem incutir uma abordagem e mentalidade financeiras em toda a companhia, ao passo que também criam uma cultura inteligente de risco, orientando-a à adoção de estratégias que possam mitigar impactos adversos em diferentes áreas. Ainda, considerados como catalisadores organizacionais, esses executivos carregam consigo a habilidade de agir rapidamente frente a situações complexas, transparecendo estabilidade independentemente de qualquer outra coisa.
Somando-se a isso, hoje, os CFOs precisam estar atentos às novas tendências, envolvendo-se nos processos de transformação digital das companhias em que atuam, a fim de expandir suas áreas de influência e conectar-se à nova realidade mercadológica. Em um mundo guiado pela digitalização, compreender as idiossincrasias desse contexto é crucial.
Capítulo 05 5. Gestão de pessoas
No passado, antes da década de 1990, as companhias que possuíam menor custo de capital e conseguiram melhorar a compra de seus insumos, normalmente obtinham a maior vantagem competitiva na indústria. Nos dias de hoje, com o advento da tecnologia e da transformação digital, o que realmente faz a diferença e possibilita que sua empresa esteja aqui amanhã, são as pessoas.
Essa é uma das competências mais bem vistas pelas organizações, principalmente no que tange a uma posição tão relevante quanto a de CEO. Logo, saber se relacionar com outras pessoas é extremamente significativo para realizar quaisquer movimentações de carreira. O grande diferencial está na capacidade de interligar potencialidades para alavancar os resultados gerais – cobrar produtividade não terá impacto algum se você não souber lidar estrategicamente com os frutos do trabalho de sua equipe e mantê-la alinhada aos objetivos do negócio.
E, lembre-se: nenhum CEO terá grandes resultados com times medianos. A base da evolução da companhia são lideranças sólidas, e o Diretor Executivo deve ser o maior protagonista quando falamos sobre gestão.
Capítulo 06 6. Interdisciplinaridade
Sim, você tem de furar a bolha da área de finanças. Pensar em sair da zona de conforto é sempre difícil, no entanto, para chegar à Diretoria Executiva, a atuação interdisciplinar é parte indispensável do checklist. Conhecer sobre outras áreas significa ampliar seus horizontes e adentrar novas realidades, o que suscita uma administração legítima, pautada por perspectivas que extrapolam os limites numéricos.
Ademais, devido à complexidade do ambiente corporativo, entender sobre Tecnologia, Operações, Marketing e Recursos Humanos, por exemplo, pode auxiliar o CFO a integrar as especificidades dessas áreas na tomada de decisões estratégicas, conferindo-lhe uma visão sistêmica da companhia e tornando-o um candidato ainda mais capacitado para ser o CEO.
O escopo tradicional precisa ser superado, de modo a equilibrar a expertise financeira com uma compreensão global do negócio. Então, se você, CFO, tiver a oportunidade de desenvolver as competências citadas acima, com toda certeza estará mais próximo do cargo que almeja. Estruture uma imagem estratégica frente ao público interno, haja com dinamismo e adaptabilidade, potencialize a skill de gestão de pessoas e esteja atento à realidade intersetorial.
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