e.institute

O impasse tecnológico do RH em 2025

6 de Maio, 2025 | Artigo

Ir para o artigo

O estudo People Trends 2025, produzido pelo Evermonte Institute, escancara uma contradição que muitos RHs já sentem na prática: embora a maioria das lideranças reconheça o valor da tecnologia, a adoção ainda é tímida, fragmentada e muitas vezes sem direção. O cenário que se desenha é paradoxal — ao mesmo tempo em que o RH se vê no centro das transformações organizacionais, segue operando com ferramentas do passado.

Enquanto boa parte dos setores avança com velocidade, o RH parece preso em um limbo entre o “sabemos que é necessário” e o “ainda não sabemos como começar”. Em 2025, o impasse é claro: temos dados, temos ferramentas, temos urgência — mas falta execução.


Capítulo 01 A IA entrou na sala. Mas ninguém sabe o que fazer com ela.

A contradição se intensifica quando vemos que apenas um terço dos líderes de RH usa ferramentas como o ChatGPT no dia a dia. E mesmo entre os que usam, o foco ainda é majoritariamente operacional: automatizar e-mails, revisar documentos, montar descrições de vaga. É útil? Claro. Mas é só a superfície.

O ponto aqui não é adotar tecnologia por modismo. É integrá-la de forma inteligente em diferentes processos — e isso ainda está longe de acontecer. Ainda se gasta, em média, 19 horas por semana com tarefas administrativas. Apenas 45% das empresas usam automação.  E só 43% adotam ferramentas em nuvem. 

Esse não é um cenário de transição. É um cenário de urgência.

Capítulo 02 Não falta tecnologia. Falta preparo

Mais da metade das empresas se considera mal preparada para os desafios de RH em 2025. E isso não se resolve comprando software. Faltam competências técnicas, visão de longo prazo — e, acima de tudo,  coragem para experimentar.

O estudo demonstra que apenas 16% das empresas estão prontas para lidar com a obsolescência de cargos causada pela automação. E a previsão é que entre 20% e 30% dos empregos atuais deixem de existir nos próximos anos. Ao mesmo tempo, seis em cada dez profissionais precisarão de requalificação até 2027. 

Ou seja, o RH ainda está tentando se digitalizar enquanto o mundo já mudou.

Capítulo 03 Transformação digital não é sobre software — é sobre gente

Um dos grandes erros das empresas é tratar a digitalização do RH como um projeto de TI. Mas ela é sobre cultura, liderança e visão de futuro.

Adotar IA no RH é fazer perguntas incômodas. Que decisões estamos tomando sem dados? Quais indicadores ainda são guiados por achismo? Que tipo de experiência estamos oferecendo para quem trabalha aqui? Essas perguntas não têm respostas prontas. Mas precisam ser feitas.

Capítulo 04 O RH chegou ao conselho. Agora precisa ficar

O relatório traz um dado promissor: a presença de profissionais de RH nos conselhos das empresas cresceu de 2,1% para 6,4% em cinco anos. Isso mostra uma mudança. A gestão de pessoas passou a ser reconhecida como estratégica — mas agora precisa provar isso com resultados. 

Quem está no conselho precisa falar a língua do negócio.

Quem está no RH precisa deixar de ser apenas executor e se posicionar como decisor.


A pergunta que fica para 2025 não é se a tecnologia vai tomar conta do RH, e sim quem vai liderar essa virada.

Porque o futuro do RH já começou. E ele não tem mais espaço para áreas presas a planilhas, papéis e processos manuais. Ele exige decisões baseadas em dados, liderança com visão sistêmica e coragem para sair da zona de conforto.

Se você já está nesse caminho, ótimo. Se ainda não começou, este é o momento certo. O futuro não vai esperar. Mas ele pode — e deve — ser liderado por quem entende que tecnologia, mais do que ferramenta, é estratégia.

Compartilhar

Acesso antecipado

Receba as próximas pesquisas do NIE direto no seu inbox.

Análises trimestrais sobre remuneração, sucessão, estrutura organizacional e tendências executivas — assinadas pelo time e.institute.

Inscreva-se no Institute Hub

Continue a leitura

Artigo

RH, olhe para sua própria carreira

Vamos direto ao ponto: o RH está sempre olhando para a carreira dos outros — e quase nunca para a sua própria. Mas e quando o assunto é você? Sua evolução? Seus próximos passos?

Ler conteúdo
Artigo

As vantagens ocultas do modelo familiar

Fala-se muito sobre os riscos de manter uma empresa familiar sem profissionalização. E com razão. A falta de estrutura pode custar caro. Mas tem uma outra parte dessa história que raramente ganha atenção: as forças que o modelo familiar carrega.

Ler conteúdo
Notícia

Substituir pode ser necessário. Desenvolver pode ser mais inteligente.

Em muitos momentos, uma empresa olha para uma cadeira executiva e percebe que algo mudou. A liderança que antes parecia perfeitamente aderente ao negócio começa a gerar dúvidas. O ritmo da companhia mudou, a press...

Ler conteúdo
Fale por WhatsApp