e.institute

O novo CFO: 4 características de um papel que vai muito além das finanças

24 de Julho, 2024 | Artigo

Ir para o artigo

Ao longo dos anos, a posição de CFO passou por um amplo processo de complexificação, tornando-se cada vez mais estratégica e pautada na interdisciplinaridade. Com isso, as expectativas das companhias acerca das funções desempenhadas por esse profissional também foram proporcionalmente amplificadas, e um papel que antes estava submerso no nível operacional ganha outra roupagem.

Seu potencial é, de forma contínua, demonstrado por resultados que ultrapassam a lucratividade. O cargo de CFO talvez seja um dos que mais tenha tido alterações dentro das estruturas internas da companhia.

Capítulo 01 De defensor do orçamento a copiloto do negócio

Há 10 anos, o CFO era um profissional que olhava mais para a eficiência interna do que para o modelo de negócios. Tinha sob seu comando praticamente todas as áreas de backoffice — jurídico, TI, RH, compras — e podia ser caracterizado como um defensor da visão orçamentária.

Boa parte das empresas que dispunham de vantagem competitiva nas décadas passadas obtinha um custo de capital inferior ao dos concorrentes e possuía maquinários mais robustos e eficientes. Com o incremento de liquidez monetária global, a facilidade nas transações internacionais e o desenvolvimento de novas tecnologias, a vantagem competitiva migrou para duas novas vertentes: Pessoas e Modelos de Negócios.

!

Se o CFO de hoje não consegue reter os melhores talentos e direcionar-se a uma visão de negócios, a tendência é dupla: ou a companhia não evolui em seus resultados, ou esse CFO tem baixa liquidez no mercado executivo.

Para evitar esse cenário, o profissional deve atuar como copiloto da organização, assegurando alta performance através de uma atuação estratégica, planejada e coerente ao propósito e às metas do negócio. A diferença entre o CFO de ontem e o de hoje não é de grau — é de natureza.

Capítulo 02 As quatro competências do novo CFO

Dentre as principais características atribuídas a esse novo perfil, quatro se destacam por reorganizar de forma definitiva o escopo da função. Cada uma delas reflete uma pressão real do mercado e, somadas, redesenham o lugar do CFO dentro da organização.

Competência 01

Perfil voltado à digitalização

A área de finanças detém números, planejamento estratégico e visão de tendências. Por isso, é cada vez mais comum encontrar profissionais de Data Science dentro do time financeiro para analisar e prever movimentos.

Competência 02

Gerenciamento de riscos

Cibersegurança e mapeamento de riscos ganham velocidade. Em um contexto de superabundância de dados, identificar perigos relacionados aos espaços virtuais é o que torna o CFO uma liderança ainda mais demandada.

Competência 03

Flexibilidade de pensamento e ação

Não há mais espaço para profissionais que fazem apenas o mínimo. Inovação, proatividade e dinamismo passam a ser exigências. Os números seguem no centro, mas não podem guiar sozinhos a atuação.

Competência 04

Comunicação efetiva

O CFO interage diretamente com o CEO e mantém contato constante com stakeholders. O sólido conhecimento financeiro segue sendo a base, mas saber comunicar-se com efetividade tende a se tornar o principal diferencial frente à concorrência.

Capítulo 03 Digitalização: do processo ao produto

No mercado atual, há um grande desafio na área de finanças: a digitalização não apenas dos processos, mas dos próprios produtos das companhias. A área de finanças concentra os números, o planejamento estratégico e a leitura de tendências — o que a torna o lugar natural para abrigar capacidades analíticas avançadas.

No segmento industrial, a área de Data Science costuma começar realizando previsões de séries temporais das linhas de receita, atuando na vertente de crédito ou nas otimizações de precificação (pricing). Já no segmento de serviços, um dos principais caminhos iniciais é a clusterização de clientes — avaliar quais são mais rentáveis, quais canais desenvolver e que perspectivas se abrem para cada decisão.

"A crescente digitalização, intrínseca às organizações modernas, desempenha um papel substancial na reestruturação das incumbências do CFO. Classificando-se como um profissional multidisciplinar, ele precisa reconhecer a importância da tecnologia em seu cotidiano e utilizá-la em benefício da companhia."

— Evermonte

Capítulo 04 Risco, flexibilidade e o som das palavras certas

O mapeamento de riscos, historicamente, já ficava a cargo do CFO. Mas o âmbito digital ainda é um campo pouco explorado, e que precisa receber atenção crescente do profissional de finanças. Em um contexto de superabundância de dados, identificar os perigos relacionados aos espaços virtuais deixa de ser tarefa periférica e passa a ser exigência central.

A esse desafio se soma a necessidade de flexibilidade real de pensamento e ação. O novo CFO precisa ser curioso e adaptar-se às idiossincrasias pleiteadas pelo mercado. Para além de agilidade e pragmatismo, deve carregar uma perspectiva flexível, atenta tanto às tendências locais quanto às globais. O medo de grandes mudanças precisa ser superado.

E há ainda uma competência que, embora pareça óbvia, costuma ser subestimada: a comunicação. O CFO interage diretamente com o CEO e está em contato constante com os stakeholders — investidores, conselho, mercado. O sólido conhecimento em finanças sempre será sua principal qualificação, mas saber comunicar-se com efetividade poderá, em um futuro não tão distante, se tornar seu principal diferencial frente à concorrência.

Capítulo 05 Pensar fora da caixa, dentro do balanço

O novo papel do CFO vai muito além das finanças. É preciso pensar fora da caixa. Frente ao mercado atual, quanto mais esse profissional ampliar suas habilidades e adentrar nas realidades de outras áreas, maiores serão suas probabilidades de crescimento — nos mais distintos níveis interpretativos que a palavra carrega.

Orientando-se à digitalização, ao gerenciamento de riscos, à flexibilidade e à comunicação efetiva, o novo CFO poderá revolucionar a sua área. Não substituindo o que sempre coube ao cargo, mas expandindo o alcance do que ele pode entregar. O CFO do próximo ciclo não é apenas o guardião dos números — é o profissional que traduz números em decisões estratégicas e decisões estratégicas em resultados.

Compartilhar

Acesso antecipado

Receba as próximas pesquisas do NIE direto no seu inbox.

Análises trimestrais sobre remuneração, sucessão, estrutura organizacional e tendências executivas — assinadas pelo time e.institute.

Inscreva-se no Institute Hub

Continue a leitura

Artigo

RH, olhe para sua própria carreira

Vamos direto ao ponto: o RH está sempre olhando para a carreira dos outros — e quase nunca para a sua própria. Mas e quando o assunto é você? Sua evolução? Seus próximos passos?

Ler conteúdo
Artigo

As vantagens ocultas do modelo familiar

Fala-se muito sobre os riscos de manter uma empresa familiar sem profissionalização. E com razão. A falta de estrutura pode custar caro. Mas tem uma outra parte dessa história que raramente ganha atenção: as forças que o modelo familiar carrega.

Ler conteúdo
Notícia

Substituir pode ser necessário. Desenvolver pode ser mais inteligente.

Em muitos momentos, uma empresa olha para uma cadeira executiva e percebe que algo mudou. A liderança que antes parecia perfeitamente aderente ao negócio começa a gerar dúvidas. O ritmo da companhia mudou, a press...

Ler conteúdo
Fale por WhatsApp