Nas últimas semanas, temos conversado com executivos de diferentes segmentos da construção. As empresas continuam contratando — mas o perfil das posições mudou.
Segundo o estudo 2026 Brazil Construction Market Pulse, houve um aumento de 18,1% nas contratações de diretorias entre 2024 e 2025. Ao mesmo tempo, as posições de gerência recuaram 31,4%. Esse dado resume bem o que estamos observando: as empresas passaram a concentrar decisões em cargos com mais capacidade de articulação entre áreas, mais responsabilidade sobre resultado e maior autonomia para estruturar o negócio com previsibilidade.
Capítulo 01 O que está por trás dessa mudança?
O setor segue operando com taxa de investimento em 16,8% do PIB e crescimento acumulado de 3,6% em quatro trimestres. Mas, com o custo de capital elevado e o crédito mais seletivo, o avanço depende menos do volume e mais da capacidade de entrega.
Projetos com cronogramas mais curtos, menor exposição regulatória e funding estruturado passaram a ocupar o centro das decisões. E isso exige um tipo de liderança que vá além da especialização técnica.
Hoje, Engenharia e Obras respondem por 33% das contratações executivas — ainda é a frente com maior demanda. Mas Finanças, Controladoria e Suprimentos vêm ganhando espaço de forma consistente, com 13% cada uma. Essas áreas lidam com temas como variância de caixa, contratos, abastecimento, controle de custos e compliance.
Não se trata de reforçar a hierarquia. Trata-se de reduzir risco e melhorar a previsibilidade da operação.
Capítulo 02 O papel da liderança está mais exposto
CFOs têm sido cobrados não só por resultado financeiro, mas pela capacidade de antecipar risco e estruturar operações financeiramente viáveis. Diretores de Engenharia e PMOs passaram a liderar o planejamento integrado das obras — com responsabilidades sobre cronograma, sequenciamento e aderência físico-financeira.
Em Suprimentos, o foco tem sido reduzir a volatilidade, padronizar contratos e melhorar a rastreabilidade. E na área de Pessoas, o desafio é garantir que o time técnico tenha o preparo necessário para executar com consistência — e que o conhecimento se mantenha dentro da companhia, mesmo em ciclos longos de obra.
Capítulo 03 As contratações estão acontecendo (mas com critérios diferentes)
O setor abriu 19 mil novas vagas formais por mês em 2025. O número absoluto é relevante, mas o critério de escolha mudou.
Há menos espaço para decisões oportunistas ou reativas. Boa parte das empresas está usando esse momento para revisar estrutura, reforçar processos e buscar perfis que tragam mais clareza à operação. Isso vale especialmente em contextos de expansão, reestruturação ou mudança de modelo de negócio.
A velocidade da decisão de contratação também se tornou um fator crítico. Postergar a escolha de uma liderança essencial tem custo: desalinha áreas, reduz margem e compromete execução.
Empresas que estão avançando com consistência são as que tomaram decisões claras sobre quem conduz cada frente crítica. Se quiser seguir contratando, o mercado está em movimento. Mas se quiser crescer com estabilidade — e proteger resultado — o ponto de partida é a liderança.
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