O Evermonte Institute voltou a ouvir lideranças sobre um tema que raramente ocupa o espaço que merece nas organizações: a sucessão. Dois anos se passaram desde a última edição do estudo, mas os números continuam semelhantes. E é justamente isso que preocupa.
O novo levantamento, realizado com 161 executivos, mostra que apenas 8,1% das empresas possuem um plano de sucessão implementado de forma consistente e acompanhado pelas lideranças. Em outras palavras: a cada 10 empresas, 9 ainda operam sem uma estratégia clara para lidar com uma transição de liderança.
Não se trata de ausência de discurso. Pelo contrário. O tema tem sido reconhecido como importante por CEOs, conselhos e diretorias executivas. Mas a prática segue distante.
“Há um anseio em trazer a pauta para a mesa, mas ela permanece no campo das discussões.” — Guilherme Abdala, sócio da Evermonte, em entrevista ao Valor Econômico
Essa lacuna entre intenção e execução — já evidenciada em 2023 — permanece, agora com um agravante: o tempo passou, e pouca coisa mudou.
Capítulo 01 As barreiras que se repetem
A pesquisa indica que os principais entraves à implementação de planos de sucessão são recorrentes:
- Cultura organizacional resistente à mudança (34,2%)
- Foco no curto prazo (26,7%)
- Falta de priorização (24,2%)
Além disso, a maior parte das empresas não tem cadência clara de revisão dos planos. Algumas revisam anualmente (29,8%), outras apenas quando necessário (34,2%) — e um grupo significativo (28,6%) simplesmente não revisa.
O resultado é um processo frágil, reativo e desconectado da estratégia de longo prazo. Um risco que muitas organizações não estão medindo corretamente.
Capítulo 02 O final de ano como ponto de inflexão
O quarto trimestre traz, naturalmente, um convite à revisão de metas e estratégias. Para empresas que ainda não incorporaram o planejamento sucessório à sua agenda de 2026, este é o momento de fazer isso.
Mais do que preencher posições, trata-se de garantir a continuidade da cultura, da visão e da capacidade de execução. Empresas que operam com maturidade nesse tema reconhecem que a sucessão não é um evento — é um processo.
Processo esse que exige clareza de critérios, governança, integração com o planejamento estratégico e indicadores que traduzam prontidão em números reais.
Capítulo 03 O dado mais importante não está nos 8,1% — está nos 91,9%
A negligência com o planejamento sucessório é um reflexo de algo mais profundo: a dificuldade das organizações de lidar com o longo prazo quando o curto prazo é urgente.
Mas a boa notícia é que o movimento pode começar com passos estruturados. Criar um comitê de pessoas, definir um mapa de risco por função crítica, estabelecer critérios de avaliação e comunicar o processo com transparência são ações possíveis — e necessárias.
O futuro da liderança organizacional está sendo definido agora. A pergunta não é se haverá transição. A pergunta é: com que preparo sua organização vai atravessá-la?
Acesso antecipado
Receba as próximas pesquisas do NIE direto no seu inbox.
Análises trimestrais sobre remuneração, sucessão, estrutura organizacional e tendências executivas — assinadas pelo time e.institute.
Inscreva-se no Institute Hub