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O que muda (de verdade) quando uma mulher entra no conselho?

24 de Junho, 2025 | Artigo

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A discussão sobre diversidade nos conselhos não é nova. Mas o que acontece depois que uma mulher finalmente ocupa aquela cadeira? O que muda, de fato, na forma como se pensa, decide e influencia o futuro das organizações?

Segundo a pesquisa Women at the Top, realizada pelo Evermonte Institute, a presença feminina ainda é baixa — apenas 12% das cadeiras em conselhos de empresas abertas no Brasil são ocupadas por mulheres. Mas o impacto gerado por essa minoria é desproporcional ao seu número.

A tese é simples: a entrada de mulheres nesses espaços não é apenas simbólica — é transformadora.


Capítulo 01 Onde está o poder? Na escuta.

Em conselhos, poder é escuta. É articulação. É saber construir consenso sem apagar os conflitos.

Segundo o estudo, a escuta ativa e a leitura emocional do contexto são os principais diferenciais apontados nas conselheiras da amostra. Elas demonstram uma capacidade aguçada de absorver, traduzir e integrar múltiplas perspectivas — o que, em ambientes colegiados, é um trunfo raro.

Essa habilidade reduz ruídos, eleva o nível do debate e gera decisões mais robustas — não por serem unânimes, mas por considerarem mais ângulos.

“Um dos nossos maiores diferenciais é a capacidade de ter conversas difíceis em um formato mais leve.” – Daniele Krassuski Fonseca

Capítulo 02 Quando o conselho enxerga o que antes não via

As conselheiras entrevistadas têm atuação destacada em setores como tecnologia, ESG, educação e transformação organizacional. Coincidência? Não. Direcionamento.

Segundo a pesquisa, essas profissionais trazem para o conselho pautas que vão além do curto prazo: propósito, cultura, reputação e impacto social. Trazem a capacidade de olhar além do trimestre e considerar aquilo que sustenta o negócio no longo prazo — especialmente em tempos de crise de confiança, disrupção tecnológica e pressão por accountability.

Essa mudança de foco não enfraquece o conselho. Qualifica. Porque decisões estratégicas hoje exigem, mais do que nunca, sensibilidade institucional.

Capítulo 03 Liderança sem imposição

A liderança feminina nos conselhos, segundo o estudo, não depende de cargo. Depende de credibilidade. As conselheiras exercem influência pela trajetória, pela preparação (em média, 6,45 formações e quase 5 certificações) e pelo nível técnico que carregam — e não pela autoridade formal.

Elas lideram por constância e por coerência entre discurso e prática. E isso tem um efeito direto na cultura do colegiado: reduz a competição interna, aumenta a colaboração e melhora o ambiente deliberativo.

“Os conselhos não precisam de clones. Precisam de diversidade real de pensamento.” – Ana Zamper

Capítulo 04 Representatividade que vira ponte — não vitrine

Os dados da pesquisa mostram que a presença feminina nos conselhos tem efeitos multiplicadores. Um exemplo concreto: após a chegada de Janete Anelli à coordenação do IBGC no Paraná, o número de mulheres no capítulo cresceu 150% em dois anos e meio.

Isso mostra que representatividade, quando é real e legítima, encoraja, inspira e transforma redes.

“Quando uma mulher ocupa um espaço, outras se sentem mais seguras para estar ali também.” – Janete Anelli

Essa presença gera um efeito cascata de confiança, pertencimento e ambição. É uma porta que se abre para muitas — e que começa a redesenhar o pipeline de governança no país.


A pesquisa Women at the Top traz dados incontestáveis: as conselheiras que chegaram lá não vieram de lugares improvisados. Vieram com preparo, trajetória e propósito.

Mas o mais importante não é o que elas trazem individualmente. É o que elas mudam coletivamente.

Elas ampliam o escopo da governança. Qualificam o debate. Introduzem variáveis humanas, culturais e estratégicas que antes não entravam na sala. E fazem isso sem perder o foco no resultado.

A pergunta que fica não é “quantas mulheres temos no conselho?”, mas: “Quantas decisões deixamos de qualificar antes de elas chegarem?”

Repensar a governança começa com a coragem de ouvir vozes diferentes — e de fazer perguntas novas.

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