Nos últimos meses, temos acompanhado uma série de discussões sobre o futuro do trabalho. Inteligência artificial, novos modelos de carreira, escassez de talentos, cultura organizacional sob pressão. O tema está em toda parte.
Mas, em meio a tantas opiniões, surge uma pergunta importante: o que de fato está mudando na agenda de Pessoas dentro das organizações?
É exatamente para responder a essa pergunta que lançamos a 2ª edição do People Trends 2026, a principal pesquisa do Evermonte Institute sobre as transformações da área de Recursos Humanos.
Este estudo nasce de um esforço analítico amplo. Ele combina uma metanálise de mais de 30 estudos internacionais, entrevistas em profundidade com lideranças brasileiras de RH e uma pesquisa estruturada com executivos da área de Pessoas no Brasil. O objetivo é claro: traduzir sinais dispersos do mercado em um panorama consistente sobre as mudanças que estão redesenhando a gestão de pessoas nas organizações.
Nas próximas semanas, nossos sócios também estarão aprofundando diferentes recortes da pesquisa em seus perfis e em entrevistas para veículos de mídia, trazendo reflexões sobre como esses movimentos impactam decisões estratégicas dentro das empresas.
Para iniciar essa conversa, destacamos alguns dos principais insights do estudo:
Capítulo 01 1. A Inteligência Artificial deixa de ser experimento e passa a fazer parte da infraestrutura das empresas
Um dos movimentos mais claros identificados no People Trends 2026 é a consolidação da Inteligência Artificial no ambiente de trabalho.
Estudos globais indicam que mais da metade das organizações deverá utilizar IA em processos centrais até 2026, especialmente em atividades ligadas a recrutamento, análise de dados e apoio à tomada de decisão gerencial.
Mas existe um ponto importante aqui: tecnologia sozinha não resolve o problema.
O impacto real da IA depende de algo muito mais complexo — o redesenho do modelo operacional de trabalho, dos papéis de liderança e dos processos organizacionais.
Ou seja, o desafio não é apenas adotar tecnologia. É aprender a trabalhar com ela.
Capítulo 02 2. A economia das competências começa a substituir a lógica tradicional de cargos
Outra mudança estrutural é a transição de modelos organizacionais baseados em cargos para estruturas orientadas por competências.
Cada vez mais, as empresas estão sendo cobradas não apenas pela gestão do número de colaboradores, mas pela gestão do estoque de competências necessárias para executar a estratégia do negócio.
Esse movimento ocorre em paralelo a um fenômeno global relevante: a escassez de talentos qualificados. Em diversos mercados, mais de 80% dos empregadores relatam dificuldade para encontrar profissionais com as competências necessárias para funções críticas.
Isso muda completamente a lógica da gestão de pessoas. Mobilidade interna, aprendizagem contínua e desenvolvimento acelerado passam a ser alavancas estratégicas de competitividade, e não apenas iniciativas de RH.
Capítulo 03 3. Experiência de trabalho e cultura organizacional entram definitivamente na agenda de performance
Durante muitos anos, temas como bem-estar, cultura e experiência do colaborador foram tratados como agendas paralelas à estratégia de negócios.
Essa lógica está mudando.
O People Trends 2026 mostra que experiência de trabalho e desempenho organizacional estão cada vez mais interligados, especialmente em contextos de transformação tecnológica acelerada.
Ao mesmo tempo, existe um paradoxo importante.
Embora a maioria das organizações reconheça a importância da cultura, poucas conseguem transformar esse discurso em práticas consistentes no dia a dia. Em muitos casos, há um desalinhamento significativo entre o que a liderança declara como valores organizacionais e aquilo que os colaboradores realmente vivenciam no cotidiano.
Esse é um dos grandes desafios da gestão contemporânea.
Capítulo 04 4. As carreiras estão se tornando mais fluidas
Outra tendência relevante identificada no estudo é a formação de um novo mosaico de vínculos profissionais.
Carreiras mais lineares estão dando espaço a trajetórias que combinam diferentes formas de trabalho ao longo do tempo: emprego formal, consultoria, projetos específicos e iniciativas empreendedoras.
Isso não significa o fim do emprego tradicional.
Mas indica que as relações de trabalho estão se tornando mais flexíveis e dinâmicas, exigindo novas formas de gestão, desenvolvimento e engajamento.
Capítulo 05 Uma área de Pessoas em permanente reconfiguração
Talvez a principal conclusão do People Trends 2026 seja simples — e ao mesmo tempo desafiadora: a área de Pessoas está entrando em um ciclo contínuo de reconfiguração.
Tecnologia, mudanças geracionais, novos modelos de carreira e pressões por desempenho estão transformando a forma como as organizações estruturam suas equipes, desenvolvem lideranças e tomam decisões sobre talentos.
Nesse contexto, dados e análise se tornam cada vez mais essenciais para orientar escolhas estratégicas. Mais do que antecipar tendências, o objetivo do People Trends é oferecer às lideranças um quadro de referência sólido para refletir sobre o futuro do trabalho.
E essa conversa está apenas começando.
Nos próximos dias, nossos sócios irão aprofundar diferentes dimensões da pesquisa em seus perfis e em entrevistas na mídia, trazendo novas perspectivas sobre os dados e suas implicações para empresas e lideranças.
Se existe uma certeza neste momento, é esta: a agenda de Pessoas nunca foi tão estratégica para o futuro das organizações.
Acesso antecipado
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