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4 principais riscos de um retorno abrupto para modelos de trabalho presenciais

6 de Agosto, 2024 | Artigo

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Hoje, muitas empresas estão retornando de maneira acentuada para modelos de trabalho presenciais ou semipresenciais. Em um período pós-pandemia, esse movimento tem se caracterizado como uma resposta vertiginosa à realidade que vinha se apresentando até então.

Com a evolução dos debates sobre o assunto — principalmente no que se refere ao mercado executivo —, vale a pena examinar com cuidado alguns dos potenciais riscos a serem observados para melhor conduzir a transição entre diferentes modalidades de trabalho. O retorno ao presencial pode ser a decisão certa, mas, sem análise consistente, pode também ser o gatilho de problemas que só aparecerão alguns trimestres depois.

Capítulo 01 Quatro riscos que toda empresa deveria mapear

A transição entre modelos de trabalho não é, por si só, um problema. O que costuma gerar consequências negativas é a forma como essa transição é conduzida — sem análise prévia, sem segmentação de público e sem leitura do contexto setorial.

Quatro riscos, em particular, merecem atenção especial por parte das lideranças que estão repensando suas modalidades de trabalho:

Risco 01

Perda do senso de liberdade

Colaboradores que veem o retorno como movimento abrupto podem se sentir desmotivados — e abrir conversas com o mercado mesmo sem buscar ativamente nova posição.

Risco 02

Generalização do retorno

Aplicar a mesma regra para todos ignora momentos de carreira e singularidades de cada área. Para alguns colaboradores acelera; para outros, prejudica desempenho.

Risco 03

Ignorar a dinâmica setorial

O mercado tem padrões diferentes por setor. Decidir sem olhar a concorrência expõe a empresa a perdas de atração e retenção difíceis de reverter.

Risco 04

Desconexão com tendências globais

Hibridização do trabalho conversa com ESG e redução de emissões. Empresas 100% presenciais criam defasagem de competências de gestão a médio prazo.

Capítulo 02 O sentimento de perda da liberdade

À medida que modelos híbridos ou remotos passam a ser descontinuados por grande parte das organizações, muitos colaboradores têm alegado perder seu senso de liberdade e autonomia. Esse contexto pode gerar impactos de ordem pessoal ainda mais relevantes — elevando o risco de turnover ou fomentando maior abertura a ofertas atrativas de mercado.

Quando o colaborador se sente forçado a um movimento abrupto em relação à sua carreira, a desmotivação tende a ser um efeito direto. Mas há um fator ainda mais expressivo: o impacto indireto em pares ou subordinados — que observam a reação do colega e ajustam sua própria leitura sobre a empresa.

Se não houver um sistema de (auto)gestão bem estruturado frente ao panorama global de transformações contínuas, toda a companhia pode ser prejudicada — independentemente do nível hierárquico da posição afetada. O efeito-cascata dentro de equipes é, geralmente, mais custoso do que a saída individual que o originou.

Capítulo 03 A armadilha da generalização

Para algumas áreas, a modalidade de trabalho tem influência direta sobre os resultados. Para outras, há maior possibilidade de flexibilização pela natureza da atuação. Mas o ponto crítico não é só a área — são os momentos profissionais de cada colaborador.

Esses momentos podem ser lidos em pelo menos dois perfis distintos, que pedem respostas diferentes:

Perfil 01

Quem está ingressando

Para alguém que entra na empresa, o trabalho presencial tende a acelerar a curva de aprendizado e a conexão cultural. Onboarding presencial cria laço, familiariza com a marca e aumenta retenção.

Perfil 02

Quem já é casa

Para alguém que está há anos na empresa, dominando suas arenas culturais e políticas, um modelo híbrido poderia inclusive impulsionar sua performance — preservando autonomia e ganho de tempo.

A não-clusterização das personas da empresa e dos momentos de carreira pode gerar grande desconexão com a realidade. Em decorrência disso, a propensão é que ocorra alta taxa de rotatividade em um curto espaço de tempo, resultando em redução significativa de produtividade.

"Para a transição de ambas as modalidades — híbrida ou presencial — há uma linha tênue entre o êxito e o insucesso. O que realmente fará a diferença é a forma como serão conduzidas, e o que a empresa estará disposta a fazer para preservar seus colaboradores."

— Evermonte Executive Search

Capítulo 04 O mercado também está dando sinais

Um dos erros mais comuns observados em mudanças de modelo é a ação incalculada somada à falta de análise da concorrência. Se o mercado está se comportando de forma semelhante, é porque há um motivo plausível — sobretudo no debate sobre modalidades de trabalho. Na Indústria, por exemplo, a percepção sobre o tema é extremamente distinta da realidade que se apresenta na área de Tecnologia.

Diversos parceiros de Tecnologia que migraram para modelos integralmente presenciais têm demonstrado perdas substanciais de retenção e dificuldades de atração — já que, nesse setor, ainda há muitas oportunidades que oferecem home office. O setor tem regras próprias e ignorá-las custa caro.

As companhias precisam atentar-se ao que o mercado está pedindo. Caso contrário, terão que lidar com os efeitos de suas decisões — em forma de turnover concentrado, dificuldade de recrutar, perda de competitividade salarial e desgaste da marca empregadora.

Capítulo 05 Desconexão com as tendências socioeconômicas

Há uma tendência global de hibridização do trabalho. Com os movimentos governamentais e privados de incentivo à redução de emissões de carbono, cada vez mais companhias multinacionais tendem a adotar modelos híbridos. Sob esse ponto de vista, assumir uma cultura 100% presencial frente a um contexto mundial inclinado ao caminho contrário cria uma defasagem de competências de gestão nas lideranças atuais.

Pela mesma ótica, a pauta ESG vem ganhando ampla atenção nos últimos anos. Isso implica em reestruturação gradual dos atuais modelos de gestão — para que acompanhem a evolução do mercado. Com a pandemia, exemplo concreto: muitas pessoas saíram das grandes metrópoles e, hoje, diversas organizações enfrentam dificuldade para gerir essa mudança.

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Se não houver investimentos suficientes na qualificação das lideranças para o futuro do trabalho, a gestão de pessoas terá, em breve, uma grande lacuna a ser suprida — e o custo dessa lacuna recairá sobre toda a estrutura organizacional, não apenas sobre o RH.

Capítulo 06 Decisões que mexem com gente exigem cuidado redobrado

Há um ponto muito importante em meio à questão do hybrid work: nenhum colaborador é igual ao outro. Por essa razão, ignorar suas singularidades pode ser profundamente prejudicial. Em um período pós-pandemia, as relações antes estabelecidas por padrões que fugiam da tradicionalidade do modelo presencial agora estão retornando às suas origens — mas fazê-lo sem considerar a realidade do capital humano é bastante arriscado.

Atentar-se aos riscos iminentes a decisões precipitadas é imprescindível para conduzir com assertividade mudanças que tenham impacto sobre a vida dos colaboradores. Sobretudo, é o caminho para evitar movimentos de saída que teriam efeitos negativos diretos para a companhia.

A recomendação é direta: todas as decisões que envolvam grandes mudanças para a workforce devem ser minuciosamente planejadas, considerando os riscos implicados e suas consequências para a estratégia do negócio.

A escolha entre presencial, híbrido ou remoto raramente é binária. O que diferencia empresas que acertam dessas que tropeçam é a capacidade de tratar essa decisão como uma escolha estratégica — não como uma reação a tendência.

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