Antes mesmo de fazer parte da Evermonte Executive Search, eu já acompanhava as pesquisas e publicações do grupo. Sempre me chamou a atenção a forma responsável e embasada como os dados eram tratados. Agora, já dentro de casa, não poderia deixar de comentar sobre os achados do estudo Women at the Top. Os números impressionam e, infelizmente, ainda refletem uma realidade que persiste.
No Brasil, apenas 12% das cadeiras em conselhos de empresas de capital aberto são ocupadas por mulheres. Quando analisamos especificamente os assentos independentes, o índice é ainda menor. No cenário global, cerca de 23% das posições são femininas – e menos de 9% são ocupadas por mulheres em posições de liderança dentro do conselho.
Os dados falam por si. Mas o que mais chama atenção é o caminho que muitas mulheres percorrem até chegar lá: geralmente, mais longo, mais exigente e mais técnico. Segundo o estudo, as conselheiras apresentam, em média, 6,45 formações e 4,88 certificações. Entre os homens, esses números caem para 4,31 e 2,61, respectivamente.
Esse dado sugere um ponto relevante: a régua de preparação parece ser diferente para cada grupo. As mulheres chegam, em média, com mais qualificação formal e um histórico igualmente consistente – o que aponta para uma jornada de validação contínua ao longo da carreira.
Enquanto muitos homens acessam conselhos a partir de trajetórias consolidadas e redes já estabelecidas, as mulheres tendem a construir esse caminho por vias mais técnicas, com maior diversidade funcional e inserção em setores mais abertos à inovação. São percursos distintos e ainda não inteiramente equivalentes em termos de oportunidades.
Outro ponto importante revelado pela pesquisa são as barreiras ainda presentes: isolamento (ser a única mulher na sala), redes de indicação predominantemente masculinas, vieses na leitura de comportamento, desigualdade de remuneração, dificuldade no acesso à primeira cadeira e políticas de diversidade com baixa efetividade. Nenhum desses fatores é novo mas muitos continuam pouco discutidos.
A percepção sobre comportamentos também varia. A mesma postura que, em um homem, é vista como liderança, em uma mulher às vezes é interpretada de forma menos favorável. Esse tipo de leitura subjetiva ainda pesa e é algo que escuto com frequência em conversas com conselhos e comitês.
Apesar disso, há avanços. Algumas empresas já adotaram metas formais de diversidade. Outras estão utilizando critérios mais objetivos para compor seus conselhos. Programas como o Diversidade em Conselho (IBGC), o 30% Club e o Women on Board vêm criando pontes reais de acesso – com impacto concreto.
Ainda não é possível dizer que houve uma virada. Mas os sinais de mudança estão aí.
Conselhos diversos não apenas enriquecem o debate – eles qualificam a tomada de decisão. E decisões melhores geram mais valor. Para quem, como eu, vê a governança como um motor de transformação, acompanhar a evolução da diversidade nos conselhos é mais do que apoiar uma causa. É entender os caminhos que ainda podemos (e precisamos) destravar.
E se você também quer se aprofundar nesses debates, recomendo acompanhar o que temos publicado na página da Evermonte Executive Search.
Leia, na íntegra, a pesquisa Women At The Top clicando aqui.
Acesso antecipado
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