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A sucessão do CEO por Guilherme Abdala independentemente de quem for escolhido para suceder o CEO, uma coisa é certa: O custo de uma transição mal planejada pode ser catastrófico. Sendo assim, pensar

24 de Outubro, 2024 | Artigo

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Recentemente, conversei com o presidente de uma empresa familiar que estava no processo de avaliação da sua própria sucessão. Após décadas à frente do negócio, ele sabia que era hora de passar o bastão, mas queria garantir que a transição fosse cuidadosa – e, principalmente, que preservasse o legado construído ao longo dos anos. A reflexão, no entanto, não era simples: “Devo escolher um sucessor interno, que conheça bem a nossa cultura e o mercado em que atuamos, ou alguém de fora, com uma visão nova e potencial para inovar?”

Esse dilema reflete a realidade enfrentada por muitos líderes. No caso dessa empresa, o desafio era ainda mais delicado. Sendo uma empresa de controle familiar, as decisões envolviam não apenas questões empresariais, mas também dinâmicas emocionais e relacionamentos de longa data. O conselho de administração estava dividido: alguns apoiavam a ideia de um sucessor que já fazia parte da empresa, enquanto outros viam valor em trazer alguém de fora para impulsionar a inovação e garantir a continuidade adaptando-se ao mercado.

Ao final da nossa conversa, ficou evidente que a complexidade não estava apenas em encontrar um sucessor “adequado”, mas também em entender como essa nova liderança se alinharia ao legado e à visão futura do negócio. Afinal, quem deveria assumir o cargo de maior autoridade dentro da companhia?

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Independentemente de quem for escolhido para suceder o CEO, uma coisa é certa: o custo de uma transição mal planejada pode ser catastrófico. Uma pesquisa da PwC demonstra que no primeiro ano após uma troca de CEO mal-sucedida, as empresas perdem em média 3,5% de seu valor de mercado – o que pode representar bilhões de dólares em grandes corporações. Entretanto, estudos indicam que o custo financeiro é apenas uma parte da equação. A cultura interna, a confiança dos investidores e a imagem da empresa no mercado podem sofrer abalos profundos. Sendo assim, pensar na transição de um CEO é mais do que apenas escolher o próximo líder — é decidir o futuro da organização

Leia mais em: O custo invisível da demissão de um CEO

Capítulo 01 Outsider ou insider ?

Promover alguém que já faz parte da organização pode parecer a escolha mais segura. Um estudo da PwC revela que essa é a decisão mais comum, ocorrendo em cerca de 80% das sucessões de CEOs em empresas de capital aberto. Essa escolha traz vantagens significativas, como o conhecimento profundo da cultura, dos processos internos e do histórico da empresa. Além disso, o insider já tem a confiança da equipe e dos stakeholders, o que pode reduzir as chances de rupturas ou conflitos. No entanto, apesar dos pontos positivos, um sucessor interno pode enfrentar dificuldades para inovar ou implementar mudanças estratégicas significativas, especialmente se estiver fortemente envolvido nas práticas atuais. 

Por outro lado, escolher um CEO externo pode oferecer um novo olhar sobre a empresa, trazendo ideias inovadoras e estratégias que podem revitalizar a organização. De acordo com um estudo da Harvard Business Review, cerca de 30% dos outsiders conseguem melhorar significativamente o desempenho da empresa nos primeiros três anos. Eles são frequentemente escolhidos em momentos de crise ou quando a empresa precisa de uma reestruturação. No entanto, a adaptação cultural pode ser um desafio. Dados revelam que CEOs externos também têm um risco maior de fracasso nos primeiros 18 meses, em grande parte porque precisam conquistar a confiança da equipe e entender a complexidade das operações internas, o que pode causar tensões e atrasar os resultados esperados.

Ambas as escolhas têm seu valor. No final, a verdadeira força está em reconhecer que cada caminho oferece oportunidades únicas.  O que realmente importa é alinhar a escolha às necessidades e aos objetivos da organização naquele momento.

Capítulo 02 A transição da liderança

Ainda mais importante do que escolher quem vai assumir o cargo de CEO, é desenvolver um plano de transição bem estruturado. Até porque, essa transição não deve ser vista apenas como a seleção de um nome, mas como um processo que envolve a preparação de toda a empresa para garantir uma sucessão suave e funcional. Isso inclui a implementação de estratégias que permitam uma adaptação gradual, garantindo que o novo CEO tenha o apoio necessário para assumir o controle sem comprometer a continuidade dos negócios.

Um plano eficaz de transição deve:

  1. Estabelecer objetivos de curto e longo prazo para o novo CEO, definindo como o sucesso será mensurado.
  2. Oferecer ao sucessor, seja interno ou externo, um período de integração para que ele entenda tanto os desafios específicos da organização quanto o ambiente de mercado.
  3. Manter colaboradores, investidores e parceiros informados sobre o progresso da transição — a fim de preservar a confiança e evitar incertezas.
  4. Preparar o novo CEO e a equipe para inovar sem perder as raízes da organização.

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No fim das contas, a verdadeira sabedoria na sucessão de um CEO não está em escolher o “mais apto”, mas em orquestrar uma transição que fortalece tanto o passado quanto o futuro. É sobre garantir que o novo líder, seja ele de dentro ou de fora, tenha as ferramentas certas para não apenas manter o que foi construído, mas também para levar a empresa a patamares que, talvez, nem o próprio fundador conseguiu alcançar.

A sucessão do CEO não é o fim de uma era — é apenas o início de um novo capítulo em meio a uma história em continuidade

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