A estrutura de cargos é um dos pilares mais negligenciados dentro das organizações. Poucas empresas entendem que a forma como se organiza o desenho dos cargos impacta diretamente a remuneração, a percepção de valor dos talentos e a eficiência operacional.
Quando um modelo de cargos é mal estruturado, ele se torna obsoleto rapidamente. Na prática, muitas empresas só revisam descrições de cargos quando precisam abrir uma nova posição. Esse descaso impede que o desenho de cargos cumpra sua função de garantir coerência entre responsabilidades, senioridade e reconhecimento. Adicionalmente, a falta de atualização impede a democratização das informações sobre os cargos através da organização, limitando as percepções das pessoas sobre a carreira e possibilidades na companhia. Em empresas de maior porte, onde o volume de posições pode ultrapassar centenas, esse problema se agrava exponencialmente.
Capítulo 01 Modelo ideal X Realidade de mercado
Na teoria, o desenho de cargos deveria ser a base para toda a estrutura de remuneração. Ele deve permitir comparação com o mercado sem se restringir a simples correspondências de título. Afinal, um Diretor de Marketing de uma startup financeira não pode ser equiparado a um Diretor de Marketing de um banco global em estrutura tradicional, por exemplo. A complexidade dos desafios define a senioridade e a remuneração, e não apenas o nome do cargo.
Para alcançar esse objetivo, as melhores práticas incluem o uso de grades salariais, que são unidades de abstração de complexidade resultantes do uso de metodologias de pesagem de cargos. Além disso, a estruturação de cargos precisa estar integrada à gestão de remuneração e às trajetórias de carreira. Quando bem-feita, ela se torna a base para políticas salariais coerentes e um sistema de avaliação de desempenho mais justo e transparente. Empresas que estruturam bem seus cargos conseguem mapear suas necessidades de talentos e definir trajetórias de crescimento internas mais assertivas.
Capítulo 02 As armadilhas dos modelos tradicionais
A maioria das organizações ainda se prende a descrições de cargos excessivamente detalhadas e operacionais, tornando-as rapidamente desatualizadas. Esse modelo hiper-específico cria um problema crônico: cargos que não permitem mobilidade interna e impedem movimentos laterais. Em um mercado cada vez mais dinâmico, a rigidez no desenho de cargos se traduz em obsolescência acelerada.
Outro ponto crítico é a interferência da tecnologia nos processos seletivos. Ferramentas de IA, como sistemas de ATS (Applicant Tracking Systems), filtram currículos com base em descrições de cargos mal formuladas. Isso elimina automaticamente candidatos com perfis mais versáteis, restringindo a diversidade de experiências. Se esses sistemas estivessem em vigor no passado, muitos dos grandes nomes do mercado atual sequer teriam tido oportunidade de migrar entre setores e construir carreiras não-lineares.
Sem uma estrutura de cargos bem definida, sua empresa corre o risco de perder talentos para concorrentes mais organizados. Se sua empresa ainda trata a estrutura de cargos como um documento esquecido em uma gaveta, talvez seja hora de revisitar esse conceito. A forma como você define e gerencia os cargos hoje pode ser a diferença entre atrair os melhores talentos do mercado ou perder relevância na disputa por eles.
Acesso antecipado
Receba as próximas pesquisas do NIE direto no seu inbox.
Análises trimestrais sobre remuneração, sucessão, estrutura organizacional e tendências executivas — assinadas pelo time e.institute.
Inscreva-se no Institute Hub