Recentemente, ao me deparar com um estudo da PwC sobre empresas familiares, notei a ênfase dada à confiança em relação à contribuição para a longevidade e o sucesso desses negócios. A pesquisa mostra que muitos desses empreendimentos ainda enfrentam desafios significativos no que diz respeito a temáticas como governança e sucessão, destacando a necessidade urgente de fortalecer a confiança interna e externa.
Assim, neste artigo, pretendo falar sobre como a confiança pode se tornar – mais do que já é – um diferencial estratégico para as companhias de controle familiar.
E, afinal, quais seriam os pilares fundamentais para construir uma base sólida de confiança nesses negócios?
A confiança é um elemento ímpar para a sustentabilidade das empresas de controle familiar. No entanto, no Brasil, muitos desses negócios enfrentam dificuldades em relação à percepção de confiança por parte de stakeholders e, muitas vezes, não adotam as medidas necessárias para reverter essa situação, como demonstram os gráficos abaixo.
Capítulo 01 Mas por que é tão importante construir confiança em empresas de controle familiar?
Além de ser fundamental para a sustentabilidade do negócio, a confiança oferece uma grande vantagem competitiva. O Edelman Trust Barometer indica que a confiabilidade das empresas familiares supera em 12 pontos percentuais a média das empresas em geral. Essa confiança elevada está fortemente correlacionada a um melhor desempenho financeiro, evidenciado por uma pesquisa recente da PwC, que destaca uma ligação direta entre confiança e lucratividade.
Capítulo 02 E como é possível construir essa confiança?
O estudo sugere que a criação de uma base sólida de confiança pode ser alcançada por meio do fortalecimento de três pilares organizacionais: propósito e valores, compromisso com ESG e transparência.
Capítulo 03 Propósito e valores
Tradicionalmente, as empresas familiares são reconhecidas por seu forte senso de propósito e valores. No Brasil, 73% dessas companhias afirmam ter um propósito claro, um número ligeiramente abaixo da média global de 79%. No entanto, um desafio significativo persiste: a comunicação desse propósito. Apenas 38% das empresas familiares brasileiras compartilham regularmente seu propósito com o público externo, comparado à média global de 41%. Esse descompasso entre ter um propósito bem definido e a sua efetiva comunicação pode afetar negativamente a percepção de múltiplos públicos e comprometer a construção de uma reputação sólida e confiável.
Capítulo 04 Compromisso com ESG
Segundo a Pesquisa Global Hopes and Fears 2022, da PwC, 74% dos trabalhadores brasileiros consideram importante que seus empregadores sejam transparentes sobre o impacto ambiental dos negócios, e um percentual semelhante valoriza a transparência em relação à diversidade, equidade e inclusão (DEI). Contudo, apenas 29% das empresas familiares brasileiras divulgam regularmente seu desempenho em relação a esses indicadores não financeiros, uma taxa menor do que os 37% observados globalmente. A falta de transparência nesse aspecto pode afetar a confiança e a percepção positiva da empresa (interna e externamente).
Capítulo 05 Transparência
No Brasil, 64% dos trabalhadores relatam que suas empresas permitem questionamentos sobre as decisões da administração, superando a média global de 57%. No entanto, ainda há espaço para melhorias. A verdadeira transparência vai além da “permissão” para questionamentos; envolve também a criação de canais abertos e seguros para comunicação, feedback e resolução de problemas. Estabelecer uma estrutura de transparência que permita aos funcionários expressar suas preocupações e questionar as decisões da administração é essencial para construir e manter a confiança.
Sejamos sinceros: criar confiança não é fácil. Todos sabemos disso. Relações de confiança exigem um compromisso genuíno com a transparência, a comunicação e a responsabilidade social – o que é, com toda certeza, um grande desafio. Entretanto, precisamos compreender que, ao investirmos em relacionamentos pautados pela confiança, estamos, na verdade, criando as bases para um crescimento sustentável nas organizações. Esse é um processo contínuo que não se limita a declarações e discursos de curto prazo, mas se reflete nas ações diárias da companhia. Quando a liderança demonstra integridade e as opiniões dos colaboradores são realmente consideradas, a cultura de confiança se fortalece, gerando um efeito cascata positivo que alcança a todos os públicos (pelo menos é o que esperamos).
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