Tem uma pergunta que me acompanha, literalmente, toda segunda-feira: e se o RH…?
Quando comecei essa série no LinkedIn, há mais de seis meses, a ideia era simples. Eu queria provocar. Queria abrir pequenas janelas de reflexão em meio à correria da semana. Posts curtos, diretos, que cutucassem um pouco o lugar do RH nas organizações e ampliassem as possibilidades sobre o que essa área pode ser.
Eu não imaginava que aquela pergunta inicial iria tão longe.
Ao longo desses meses, recebi mensagens de profissionais de RH que eu admiro, gente muito boa e experiente, dizendo que tinham feito da série um ritual de segunda. Teve quem me escreveu contando que cada “E se o RH…” virava pauta de conversa com o time. Teve quem disse que se reconectou com o propósito da carreira. E teve também quem confessou que, às vezes, doía ler, porque tocava em pontos que estavam sendo empurrados com a barriga há anos.
Eu gosto disso. Não de causar desconforto por si só, mas de saber que a conversa é de verdade. Que não estamos falando sobre um RH idealizado, perfeito, que só existe em apresentação de consultoria. Estamos falando de você, que precisa equilibrar pressão por resultado, desafios de gente, orçamento apertado, liderança nem sempre alinhada e, ainda assim, insistir em construir cultura, cuidar de pessoas e sustentar o negócio.
Por isso, eu quis escrever este artigo. Para marcar um momento.
Se nesses primeiros meses a série “E se o RH…” abriu conversas, eu quero que 2026 seja o ano em que essas conversas ganham forma concreta.
Então eu te faço um convite bem direto: e se em 2026 o RH fizer, de fato, alguma das coisas que a gente foi conversando ao longo desse ano?
E se em 2026 você decidir que o seu RH não vai mais aceitar o lugar de “área operacional” e começar a se colocar, consistentemente, como parceiro de negócio? E se você levar para a mesa de decisão não só relatórios, mas leituras profundas sobre gente, cultura e contexto? E se você começar a dizer não para processos que só consomem energia e não geram resultado real?
E se em 2026 o RH puxar a discussão sobre cultura com mais intencionalidade, em vez de deixar que ela aconteça “por osmose”? E se você assumir o papel de curador da experiência das pessoas na organização, ajudando líderes a entender que cultura não é mural, é comportamento? E se você começar a tratar cada contratação crítica como uma decisão de longo prazo, e não uma corrida para preencher vaga?
E se em 2026 o RH decidir medir o que realmente importa? Com menos vaidade e mais impacto. Em vez de olhar só para número de treinamentos, começar a olhar para a mudança de comportamento que eles geram. Em vez de contar apenas o tempo de fechamento de vaga, olhar para a performance e a aderência dos executivos que foram contratados. Em vez de falar de “engajamento” de forma genérica, entender quais são as experiências específicas que aumentam ou derrubam esse engajamento.
Eu sei que nada disso é simples. E sei também que não depende só do RH. Depende de CEO, de conselho, de pares, de estruturas, de contextos. Mas também sei que muitas das transformações que vi nas empresas começaram porque alguém, dentro do RH, decidiu experimentar algo diferente, mesmo sem ter todas as condições ideais.
Por isso essa série não vai acabar tão cedo. Ela já passou de seis meses, vai atravessar o próximo ano e seguir fazendo aquilo a que se propôs desde o começo: provocar, valorizar o RH, abrir espaço para um olhar mais profundo sobre o seu papel no mercado.
Eu quero que você leia cada “E se o RH…” como um convite pessoal. Não como crítica de fora, mas como uma conversa entre pessoas que acreditam que essa área pode, sim, ser protagonista. Quero que você use o que fizer sentido na sua realidade, descarte o que não fizer, adapte o que puder. E que, sempre que possível, compartilhe seus movimentos. Porque, quando um RH decide mudar, ele inspira outros a fazer o mesmo.
Se a série abriu conversas, talvez 2026 seja o ano de abrir caminhos. De tirar ideias do papel, de negociar espaços, de redesenhar processos, de aproximar ainda mais o RH das decisões que definem o futuro das empresas.
Eu vou seguir aqui, toda segunda-feira, com um novo “E se o RH…”. Do outro lado, espero que você siga aí, testando, questionando, construindo. Porque a resposta para essas perguntas não está nos meus posts. Está nas escolhas que você fizer com o seu time, na sua empresa, no seu dia a dia.
Se em 2026 o RH fizer mesmo diferente, a gente vai saber. Não porque o discurso mudou, mas porque as pessoas, a cultura e os resultados vão começar a contar essa história por conta própria.
E antes de encerrar, eu quero te agradecer. Obrigado por cada leitura, cada comentário, cada discordância, cada compartilhamento e cada mensagem em off contando o que a série provocou aí dentro. Nada disso faria sentido se você não abrisse um espaço na sua rotina para refletir junto comigo.
Que bom que a gente se encontrou nessas segundas-feiras. Seguimos juntos em 2026.
Acesso antecipado
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