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E se o RH… ocupasse o Conselho? Por Felipe Ribeiro Se o conselho é o lugar onde se decide o futuro da empresa, e se as pessoas são parte central desse futuro, por que seguimos deixando o RH do lado de fora? 2 de setembro de 2025 | Governança

2 de Setembro, 2025 | Artigo

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Essa é a nona edição de um projeto que comecei no LinkedIn: a série “E se o RH…”. Toda segunda-feira de manhã, compartilho uma pílula de reflexão para quem, assim como eu, acredita que o RH precisa ocupar um lugar mais estratégico — e mais protagonista — dentro das organizações.

Geralmente, esses textos são curtos. Uma pergunta, um insight, uma provocação.

Mas essa semana, depois de reler o estudo Board Trends Brazil 2025, senti que precisava ir além. Porque o que os dados mostram é claro: o RH continua fora dos espaços onde as decisões mais críticas estão sendo tomadas. E isso tem um custo — não só para a área, mas para o negócio como um todo.


Sempre que o RH se aproxima da governança, alguém pergunta se a sua presença não vai “burocratizar demais” o negócio. É uma crítica recorrente — e, em geral, mal formulada. Ela parte do pressuposto de que agilidade e governança são forças opostas, e que pessoas são um detalhe a ser resolvido depois, não uma parte central da equação.

Mas quando o RH está fora da sala, o que se perde não é velocidade — é perspectiva. A organização não acelera: ela avança no escuro.

Capítulo 01 O que realmente trava as decisões

Governança não é o que complica. O que complica é tomar decisões complexas sem repertório suficiente para lidar com os impactos humanos que elas carregam.

Toda empresa quer tomar boas decisões sobre sucessão, cultura, reputação e clima. Mas quem tensiona essas conversas quando não há uma liderança de RH no board? Quem tem coragem (e conhecimento) para levantar um alerta quando a estratégia está desalinhada com o que a empresa é, ou diz ser?

O discurso de “menos estrutura, mais agilidade” parece funcional até o momento em que surgem problemas de retenção, ruídos de cultura ou crises de confiança. E aí, não raro, o RH é chamado para apagar o incêndio. O que não se enxerga é que o fogo começou lá atrás — justamente onde o RH não estava.

Capítulo 02 O retrato dos conselhos no Brasil

A pesquisa Board Trends Brazil 2025, conduzida pelo Evermonte Institute, ajuda a dimensionar como a pauta de pessoas ainda aparece de forma tímida — ou pouco estruturada — dentro dos conselhos brasileiros:

  • Apenas 3% dos conselheiros vêm da área de RH.
  • 57,9% citam gestão de riscos como um dos maiores desafios.
  • 70,7% não têm remuneração variável atrelada à performance.
  • 39,8% não adotam nenhum mecanismo formal de avaliação.
  • E mais da metade dos boards têm apenas cinco membros ou menos.

É uma estrutura enxuta (demais) para lidar com dilemas cada vez mais amplos. E um dado em especial chama atenção: se risco é um dos principais desafios percebidos, por que seguimos excluindo justamente a área mais capacitada para antecipar os riscos mais humanos — e muitas vezes invisíveis — da organização?

Capítulo 03 Governança sem pessoas não é governança

É difícil falar em sustentabilidade de longo prazo quando o board ainda é formado, majoritariamente, por perfis técnico-financeiros. Não se trata de desvalorizar esse conhecimento — ele é essencial —, mas sim de reconhecer que ele, sozinho, não dá conta.

A ausência de diversidade funcional gera uma espécie de cegueira institucional: os riscos que envolvem cultura, clima, liderança e reputação são tratados como detalhes. Só ganham relevância quando se tornam inadiáveis.

Ao excluir o RH da governança, deixamos de integrar a única área que poderia conectar estratégia com realidade interna — e, muitas vezes, com os valores que a empresa diz defender publicamente.


O RH precisa estar presente onde se fala de sucessão, reputação, valores, risco, cultura. E não porque “dá uma visão complementar” — mas porque sem essa perspectiva, a visão está incompleta.

Essa presença não pode ser simbólica, nem eventual. Não basta convidar o RH para uma reunião estratégica por trimestre. Ou para validar uma decisão já tomada. É preciso que essa liderança esteja de fato no jogo, com voto, voz e responsabilidade.

Se o conselho é o lugar onde se decide o futuro da empresa, e se as pessoas são parte central desse futuro, por que seguimos deixando o RH do lado de fora?

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