e.institute

O agro é tech – mas não é só tech

9 de Setembro, 2025 | Artigo

Ir para o artigo

Quem ainda associa o agronegócio a um setor analógico, atrasado ou pouco sofisticado, está preso a uma narrativa ultrapassada. O agro brasileiro já entrou com os dois pés na transformação digital. E não é de hoje.

Segundo o estudo “Agronegócio: Posições mais demandadas, competências, perspectivas e insights” do Evermonte Institute, 95% dos produtores já utilizam tecnologias digitais no campo. Softwares de gestão estão presentes em 70% das propriedades. E o uso de drones já atinge 27,8% das operações. A inovação saiu da promessa e virou parte da rotina.

Na prática, isso tem movimentado o mercado executivo. Funções como a Diretoria de Inovação estão entre as mais requisitadas — com foco em automação, inteligência artificial aplicada ao campo e conexão com hubs de pesquisa e desenvolvimento.

Como o próprio estudo afirma, “a digitalização está consolidada como requisito básico”. Mas é justamente aí que está o ponto central: se a tecnologia é o ponto de partida, ela já não é mais suficiente.

Capítulo 01 O agro precisa de líderes que conectem o todo

O agronegócio de 2025 é exigente. Ele cobra dos líderes uma visão muito além da tecnologia. A complexidade do setor demanda perfis que consigam integrar múltiplas frentes: produtividade, risco, capital, sustentabilidade, governança e pessoas.

Do lado jurídico e regulatório, o aumento do escrutínio institucional, somado ao volume histórico de recursos liberados pelo Plano Safra, elevou a régua. Empresas que lidam com capital externo ou exportam precisam reforçar suas estruturas de compliance. Cresce a busca por diretores jurídicos, conselheiros técnicos e áreas de auditoria capazes de garantir governança em ambientes desafiadores.

Na sustentabilidade, o avanço das exigências internacionais transformou o tema em prioridade estratégica. O Head de ESG tornou-se uma cadeira essencial — não apenas para manter a operação regularizada, mas para garantir acesso a mercados e financiamentos. Lideranças com domínio de certificações como RTRS e EUDR, rastreabilidade e due diligence são cada vez mais valorizadas.

Em finanças, o perfil do CFO mudou. Não basta mais conhecer balanço e fluxo de caixa. O momento pede executivos que dominem instrumentos como CPRs verdes, fundos com governança ESG, hedge cambial e linhas subsidiadas. E não dá para ignorar o fator humano. O estudo mostra um dado preocupante: 70% das empresas do setor ainda não têm mecanismos eficazes de sucessão. Em paralelo, cresce a complexidade de liderar equipes com diferentes perfis, origens e gerações.


O agro brasileiro é, sem dúvida, um dos setores mais avançados em produtividade e inovação. Mas o desafio agora mudou. A pergunta não é mais “como adotar tecnologia?”, e sim “como conectar tecnologia com pessoas, estratégia, sustentabilidade e capital?”.

Porque só adotar tecnologia não basta — é preciso saber o que fazer com ela. Por isso, dizer que “o agro é tech – mas não é só tech” não é uma frase de efeito. É um retrato do momento que o setor vive — e um alerta para quem quer liderar a próxima fase do agronegócio brasileiro.

Compartilhar

Acesso antecipado

Receba as próximas pesquisas do NIE direto no seu inbox.

Análises trimestrais sobre remuneração, sucessão, estrutura organizacional e tendências executivas — assinadas pelo time e.institute.

Inscreva-se no Institute Hub

Continue a leitura

Artigo

RH, olhe para sua própria carreira

Vamos direto ao ponto: o RH está sempre olhando para a carreira dos outros — e quase nunca para a sua própria. Mas e quando o assunto é você? Sua evolução? Seus próximos passos?

Ler conteúdo
Artigo

As vantagens ocultas do modelo familiar

Fala-se muito sobre os riscos de manter uma empresa familiar sem profissionalização. E com razão. A falta de estrutura pode custar caro. Mas tem uma outra parte dessa história que raramente ganha atenção: as forças que o modelo familiar carrega.

Ler conteúdo
Notícia

Substituir pode ser necessário. Desenvolver pode ser mais inteligente.

Em muitos momentos, uma empresa olha para uma cadeira executiva e percebe que algo mudou. A liderança que antes parecia perfeitamente aderente ao negócio começa a gerar dúvidas. O ritmo da companhia mudou, a press...

Ler conteúdo
Fale por WhatsApp