Quem ainda associa o agronegócio a um setor analógico, atrasado ou pouco sofisticado, está preso a uma narrativa ultrapassada. O agro brasileiro já entrou com os dois pés na transformação digital. E não é de hoje.
Segundo o estudo “Agronegócio: Posições mais demandadas, competências, perspectivas e insights” do Evermonte Institute, 95% dos produtores já utilizam tecnologias digitais no campo. Softwares de gestão estão presentes em 70% das propriedades. E o uso de drones já atinge 27,8% das operações. A inovação saiu da promessa e virou parte da rotina.
Na prática, isso tem movimentado o mercado executivo. Funções como a Diretoria de Inovação estão entre as mais requisitadas — com foco em automação, inteligência artificial aplicada ao campo e conexão com hubs de pesquisa e desenvolvimento.
Como o próprio estudo afirma, “a digitalização está consolidada como requisito básico”. Mas é justamente aí que está o ponto central: se a tecnologia é o ponto de partida, ela já não é mais suficiente.
Capítulo 01 O agro precisa de líderes que conectem o todo
O agronegócio de 2025 é exigente. Ele cobra dos líderes uma visão muito além da tecnologia. A complexidade do setor demanda perfis que consigam integrar múltiplas frentes: produtividade, risco, capital, sustentabilidade, governança e pessoas.
Do lado jurídico e regulatório, o aumento do escrutínio institucional, somado ao volume histórico de recursos liberados pelo Plano Safra, elevou a régua. Empresas que lidam com capital externo ou exportam precisam reforçar suas estruturas de compliance. Cresce a busca por diretores jurídicos, conselheiros técnicos e áreas de auditoria capazes de garantir governança em ambientes desafiadores.
Na sustentabilidade, o avanço das exigências internacionais transformou o tema em prioridade estratégica. O Head de ESG tornou-se uma cadeira essencial — não apenas para manter a operação regularizada, mas para garantir acesso a mercados e financiamentos. Lideranças com domínio de certificações como RTRS e EUDR, rastreabilidade e due diligence são cada vez mais valorizadas.
Em finanças, o perfil do CFO mudou. Não basta mais conhecer balanço e fluxo de caixa. O momento pede executivos que dominem instrumentos como CPRs verdes, fundos com governança ESG, hedge cambial e linhas subsidiadas. E não dá para ignorar o fator humano. O estudo mostra um dado preocupante: 70% das empresas do setor ainda não têm mecanismos eficazes de sucessão. Em paralelo, cresce a complexidade de liderar equipes com diferentes perfis, origens e gerações.
O agro brasileiro é, sem dúvida, um dos setores mais avançados em produtividade e inovação. Mas o desafio agora mudou. A pergunta não é mais “como adotar tecnologia?”, e sim “como conectar tecnologia com pessoas, estratégia, sustentabilidade e capital?”.
Porque só adotar tecnologia não basta — é preciso saber o que fazer com ela. Por isso, dizer que “o agro é tech – mas não é só tech” não é uma frase de efeito. É um retrato do momento que o setor vive — e um alerta para quem quer liderar a próxima fase do agronegócio brasileiro.
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