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O agronegócio está se reinventando

23 de Outubro, 2024 | Artigo

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Na última semana, conversando com um executivo do agronegócio, um assunto interessante me chamou a atenção. Ele observou que, até recentemente, o setor era frequentemente visto sob uma concepção de conservadorismo e pouca inovação, limitado em tecnologia e com poucas perspectivas de evolução. No entanto, essa visão está se transformando rapidamente. O setor, conhecido por um posicionamento mais tradicional, está passando por uma expressiva reinvenção, impulsionada pela crescente demanda por práticas sustentáveis e pela integração de novas tecnologias.

Hoje, estamos vivenciando uma revolução tecnológica no campo que, sem dúvidas, vai muito além da simples maximização da produção. O foco agora está na adoção de métodos que otimizem recursos, promovam a inclusão e respeitem o meio ambiente. Com o avanço da digitalização, estamos testemunhando ganhos significativos em produtividade e redução de custos. Essa transformação está redefinindo a produção e sinalizando um futuro onde o agronegócio está cada vez mais alinhado com as necessidades do mundo moderno – e, claro, comprometido com a sustentabilidade em diferentes frentes de negócio.

Boa leitura!


Em 2021, em meio à pandemia de covid-19, o agronegócio surpreendeu ao alcançar 27% de participação no PIB, demonstrando sua força e capacidade de adaptação, mesmo em tempos de crise. Esse desempenho fez o setor, historicamente visto como pouco aberto a inovações tecnológicas, voltar sua atenção para a transformação digital e novas soluções como alavancas para continuar crescendo. Contudo, apesar desse cenário promissor, o setor ainda enfrenta desafios consideráveis.

De acordo com uma pesquisa da PwC com 4.702 executivos de 105 países, as principais ameaças que preocupam o agronegócio incluem mudanças climáticas, inflação e conflitos geopolíticos, fatores que continuam a desafiar o desenvolvimento sustentável do setor.

Fonte: PwC | 27ª CEO Survey | 2024

Para superar esses desafios, um caminho tem sido frequentemente priorizado:  o da inovação contínua. A transformação digital, a agenda ESG e a evolução em gestão e governança são algumas das tendências que estão guiando o agronegócio rumo a um futuro de aperfeiçoamento e expansão. Logo, nesta newsletter – genuinamente escrita a partir da mistura entre os insights de uma ótima conversa e de uma pesquisa aprofundada a respeito do assunto –  falo sobre como essas tendências estão se materializando na prática, através de cases de sucesso que ilustram seu impacto real.

Capítulo 01 Transformação digital

A transformação digital está revolucionando o agronegócio com a integração de tecnologias avançadas. A Internet das Coisas (IoT) e sensores, como os utilizados para monitorar a umidade do solo e estações meteorológicas, permitem uma irrigação automatizada e precisa. A agricultura de precisão, com tratores e drones monitorados por GPS e guiados remotamente, otimiza o manejo dos cultivos. A inteligência artificial (IA) aprimora a otimização genética das culturas, conferindo resistência a pragas e tolerância à seca. Além disso, a agricultura digital utiliza softwares para gestão agrícola e análise de dados, e soluções de rastreabilidade baseadas em Blockchain. Inclusive, segundo um estudo da McKinsey, a adoção dessas tecnologias pode aumentar a produtividade agrícola em até 25%, destacando seu impacto significativo na eficiência e inovação do setor. E as lideranças, com toda certeza, terão de se atualizar sobre as mudanças que vêm reestruturando esse mercado para acompanhá-lo.

Capítulo 02 Agenda de sustentabilidade e ESG

A crescente demanda por práticas sustentáveis está forçando o agronegócio a adotar métodos que reduzam a pegada de carbono e promovam a saúde do solo e a biodiversidade. As pressões de consumidores e investidores estão impulsionando o setor a implementar técnicas como plantio direto e rotação de culturas, que preservam a qualidade do solo e minimizam emissões. Sistemas agroflorestais e tecnologias de monitoramento também ajudam a otimizar o uso de recursos naturais e diminuir desperdícios. Sob essa ótica, de acordo com um relatório da Global Alliance for Climate-Smart Agriculture, a adoção de práticas sustentáveis pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor em até 30% até 2030.

A Natura Farming, por exemplo, adotou práticas de plantio direto e rotação de culturas para preservar a qualidade do solo e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Com essas técnicas, a empresa conseguiu reduzir sua pegada de carbono em 20% e melhorar a saúde do solo. Além disso, a Amaggi, uma das maiores produtoras de grãos do Brasil, utiliza sistemas agroflorestais e tecnologias de monitoramento para otimizar o uso de recursos naturais e minimizar desperdícios. E o mais interessante a se observar disso tudo é que os resultados positivos são sempre provenientes do trabalho de pessoas empenhadas em concretizá-los. É esse o ponto que gostaria de reiterar aqui. Bons executivos podem ajudar a mudar o mundo se agirem com estratégia, planejamento e consciência social e ambiental – sobretudo em um setor tão influente como o agronegócio.

Capítulo 03 Evolução em gestão e governança

Evidentemente, com as transformações no agronegócio, as lideranças também precisam se reinventar, desenvolvendo novas competências para integrar tecnologias e gerir mudanças. Muitas empresas familiares do setor, inclusive, estão recorrendo a líderes externos para trazer novas perspectivas e habilidades em inovação tecnológica e gestão estratégica – de acordo com um estudo da PwC, 42% das empresas familiares estão buscando líderes externos para ajudar a acelerar a transformação digital e melhorar a governança. Esses líderes são fundamentais para adotar e aplicar ferramentas avançadas, como sistemas de gestão baseados em dados e análise preditiva, que otimizam operações e o próprio processo de tomada de decisões.

Ao refletir sobre as mudanças no agronegócio, é evidente que estamos presenciando uma transformação profunda. As inovações tecnológicas estão redesenhando o setor, impulsionando a produtividade e a eficiência através da digitalização. As inovações tecnológicas estão redefinindo as operações no agronegócio de forma inédita, incorporando ferramentas como inteligência artificial, análise avançada de dados e automação de processos. Essas soluções estão permitindo não apenas um aumento expressivo na produtividade, mas também uma gestão mais precisa dos recursos, otimizando desde o plantio até a colheita. A digitalização, por sua vez, facilita o monitoramento em tempo real, gerando insights que ajudam a antecipar desafios climáticos, otimizar o uso de insumos e reduzir desperdícios.

Nesse cenário, o papel das lideranças é criar um legado que equilibre os resultados econômicos com impactos sociais e ambientais, transformando a sustentabilidade em uma vantagem competitiva e não apenas uma resposta às pressões do mercado. Os exemplos práticos demonstram não apenas o impacto tangível dessas mudanças, mas também o comprometimento do setor em evoluir de forma significativa


O agronegócio, decisivamente, demonstra um futuro cada vez mais promissor. De fato, as organizações do setor estão passando por mudanças complexas, mas o ponto de reflexão não deve estar na complexidade (ou quantidade) das transformações, e sim em quem será responsável por geri-las – de preferência da melhor forma possível. Em diferentes cenários econômicos (de crises a períodos positivos), as lideranças certas podem ser um fator decisivo para que as companhias consigam prosperar.

No agronegócio, o que precisamos são pessoas que conheçam profundamente o setor e saibam traduzir os desafios do campo em decisões de impacto.  Lideranças que não apenas compreendam as nuances das demandas globais, mas que tenham a visão de reestruturar suas operações, adotar inovações e colocar a sustentabilidade no centro de suas decisões. São esses líderes que farão a diferença, assumindo riscos e direcionando seus times para resultados que vão além do lucro, criando um futuro onde responsabilidade e inovação caminham lado a lado.

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