Agosto marca meu primeiro mês na Evermonte. Estar aqui tem sido uma experiência de aprendizado constante — e também de reencontro com temas que sempre me moveram. Antes mesmo de integrar o time, eu já acompanhava as pesquisas da casa com admiração, especialmente pela seriedade na forma como os dados são tratados. Agora, tendo a oportunidade de ver esse trabalho por dentro, minha admiração só cresceu.
Em julho, pude acompanhar de perto a finalização do estudo Board Trends Brazil 2025. E entre tantos achados relevantes, um dado específico me fez parar e refletir: 48,1% dos conselhos brasileiros já adotam o modelo híbrido como formato principal de reunião. Pode parecer um detalhe técnico. Mas, na prática, é um reflexo direto da forma como a governança tem evoluído — e dos caminhos que ainda estamos aprendendo a percorrer.
O modelo híbrido superou o presencial, hoje com 40,6% de adesão, e deixou para trás o remoto puro, que representa apenas 11,3% dos casos. É interessante observar como essa escolha varia conforme o porte das empresas: enquanto o formato presencial ainda predomina nas companhias maiores, o híbrido já é amplamente utilizado em organizações de menor porte — adotado por 66,7% delas.
Essa diferença não é apenas estrutural. Ela revela algo mais profundo sobre cultura organizacional, agilidade e maturidade dos conselhos. A forma como uma reunião acontece — se na sala, na tela ou entre os dois mundos — impacta diretamente a qualidade da conversa, o nível de participação e a construção de confiança entre os membros.
O híbrido exige mais do que uma boa conexão de internet. Estar presente, nesse novo contexto, não se resume a ocupar uma cadeira — física ou virtual. É sobre estar verdadeiramente engajado, com abertura para o diálogo e responsabilidade sobre cada decisão tomada.
Em conselhos maduros, com pautas bem definidas e uma cultura de colaboração sólida, o modelo híbrido pode representar ganhos reais. Ele amplia a diversidade geográfica e funcional, reduz custos e otimiza tempo. Mas, quando adotado sem critérios ou sem alinhamento entre os membros, pode resultar em encontros esvaziados, com pouca profundidade e baixa efetividade.
Talvez o ponto mais importante seja esse: o formato das reuniões virou, também, um termômetro da governança. Conselhos que operam bem no modelo híbrido geralmente são aqueles que têm rituais claros, papéis bem distribuídos e um senso coletivo de responsabilidade. São ambientes em que a confiança não depende da presença física — mas da qualidade da relação construída entre os membros.
Vale dizer: o encontro presencial continua insubstituível em muitos momentos. Especialmente quando o tema exige sensibilidade ou decisões que envolvem nuances políticas. Mas o dado é claro: o híbrido deixou de ser exceção e passou a ser o novo padrão.
Não é apenas uma tendência. É uma resposta.
Estamos diante de um novo capítulo na forma de fazer governança no Brasil. E se você quiser se aprofundar nessa e em outras transformações do mercado, recomendo fortemente a leitura completa do estudo Board Trends Brazil 2025, publicado pelo Evermonte Institute.
A pesquisa está publicada. Mas as conversas mais importantes estão só começando.
Acesso antecipado
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