Já faz um mês que voltei de Londres, onde representei a Evermonte Executive & Board Search na conferência global da AltoPartners. Deixei passar um tempo antes de escrever esse artigo. Queria ver o que, de tudo o que ouvi e vivi por lá, ficaria ecoando na cabeça e no trabalho do dia a dia.
Passado esse intervalo, uma percepção continua muito clara para mim: o executive search não está mais no mesmo lugar de alguns anos atrás. O que vi naquela conferência, ao conversar com parceiros de tantos países, é que o modelo tradicional de executive search está sendo questionado. E isso é ótimo.
Durante muito tempo, o nosso trabalho foi associado quase exclusivamente à ideia de preencher posições. Havia uma vaga aberta, uma lista de requisitos, um conjunto de competências desejadas, e o grande objetivo era encontrar alguém que encaixasse naquele desenho. Hoje, as conversas têm outra profundidade. Em vez de começar pela vaga, muitos clientes começam pela pergunta: que tipo de liderança faz sentido para este momento da nossa história?
Eles querem falar de contexto, não só de cargo. Querem discutir estratégia, cultura, sucessão, nível de maturidade de governança, preparo da próxima geração. Querem entender se é hora de trazer alguém de fora ou fortalecer alguém de dentro, se a prioridade é crescer, reorganizar, reposicionar ou atravessar uma transição sensível com o menor ruído possível. Em resumo, não estão pedindo apenas um processo bem feito. Estão pedindo visão sobre liderança.
Isso muda o nosso lugar. Não basta mais conduzir etapas, entrevistas, mapeamentos e apresentar uma lista técnica de nomes qualificados. Cada vez mais, vejo o executive search se aproximar do papel de parceiro estratégico, alguém que ajuda a organizar o raciocínio sobre quem deve conduzir o próximo capítulo daquela organização. Em vez de aparecer só quando “a vaga abre”, fazer parte das conversas que vêm antes: qual é o momento da empresa, que pressões existem sobre o negócio, que decisões difíceis essa liderança vai precisar tomar, que história essa escolha está ajudando a escrever.
Nesse ponto, sinto que a história da Evermonte conversa muito com o que o mundo está buscando. Quando os parceiros me perguntam como conseguimos escalar a Evermonte em sete anos, eu não consigo responder sem falar de uma palavra simples, mas essencial: parceria.
O nível de entrega de serviço e o reconhecimento que alcançamos não nasceram de um atalho. Eles vieram de parceiros que confiaram em nós quando ainda éramos uma história em construção, e de clientes que nos permitiram participar de momentos críticos de transição, sucessão, reestruturação e crescimento.
Estar em Londres, representando a Evermonte em uma conferência global, não é só sobre onde chegamos. É sobre quem caminhou junto para que isso fosse possível. E eu não digo isso por formalidade. Digo porque, em cada intervalo, quando alguém vinha me perguntar sobre o Brasil ou sobre a nossa trajetória, eu sentia que esse lugar que ocupamos hoje é coletivo.
Quando a conferência terminou, voltei para o Brasil com mais perguntas do que respostas fechadas. E, sinceramente, considerei isso um sinal positivo. Significa que ainda há espaço para reflexão, construção e novos caminhos. Um mês depois, essa sensação ainda permanece.
Ao longo das próximas semanas, quero compartilhar alguns dos principais insights que surgiram por lá, especialmente sobre o que o mundo está enxergando como próximo passo para a liderança em conselhos, como diferentes países estão lidando com sucessão em empresas familiares e que tipo de perfil de executivo deve ganhar ainda mais relevância em mercados complexos como o nosso.
O que já posso afirmar é que o futuro do executive search passa por uma compreensão mais profunda do contexto local, sem perder a referência global. Passa por combinar dados com sensibilidade humana, para não transformar liderança em um exercício frio. E passa por tratar cada processo como parte de uma narrativa maior dentro das organizações, não como um evento isolado.
Mesmo um mês depois de ter deixado Londres, sigo com a sensação clara de que o nosso papel, como Evermonte, é ajudar empresas a atravessar essa transição entre o que elas foram e o que ainda podem se tornar.
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