Ele era, de longe, o executivo mais eficiente da operação. Reduziu custos, aumentou produtividade, implementou Lean, automatizou etapas críticas da cadeia. Em números, era irretocável.
Mas, mesmo assim, quase foi desligado.
Não por falha de entrega — mas por ausência de influência. Esse caso me marcou. E se repete mais do que parece: líderes de Operações altamente técnicos, brilhantes em execução, mas que perdem espaço porque não sabem narrar seu impacto em termos estratégicos. No fim, ficam à margem das grandes decisões. Invisíveis onde mais importa.
Capítulo 01 Quando o COO vira candidato ao topo
Durante muito tempo, o COO era visto como o braço executor do CEO. Alguém focado em garantir que as engrenagens rodassem. Discreto, técnico, quase invisível.
Mas isso mudou.
Hoje, o cargo de COO é o caminho mais comum para chegar ao topo. Em 2021, 55% dos CEOs promovidos em empresas do S&P 500 vieram diretamente da cadeira de Operações. Em 2022, esse número foi de 43% – ainda assim, acima de qualquer outra função. Mas o que explica isso?
Simples: em um mundo onde estratégia sem execução não leva ninguém a lugar algum, o profissional que domina a entrega com visão sistêmica e perfil relacional vira candidato natural à presidência. O novo COO é o elo entre visão e realidade.
Capítulo 02 Mas… nem todo COO chega lá. Por quê?
Essa é a parte dura da conversa. O que impede tantos COOs de ascender? Quase sempre, são fatores invisíveis à planilha: política interna, percepção de liderança, construção de reputação.
Influência pesa tanto quanto competência. E isso não tem a ver com vaidade ou autopromoção — tem a ver com gestão da própria imagem. Algo que muitos líderes evitam por acharem “superficial”. E é aí que tropeçam.
O COO que quase foi demitido? Aprendeu isso a tempo. Com apoio, começou a se posicionar em fóruns estratégicos, a ser mais vocal, a ocupar o espaço que seus resultados já justificavam. Hoje, lidera uma das operações mais complexas do país. E foi cotado como próximo CEO.
Capítulo 03 O COO que se destaca em 2025 tem outro perfil
O COO que se destaca hoje sabe exatamente como a eficiência operacional impacta margem, crescimento e estratégia de longo prazo. Ele não fala em indicadores soltos. Fala em expansão, rentabilidade, posicionamento.
Quando entra numa sala com o CFO, sabe traduzir backlog resolvido em melhora de fluxo de caixa. Quando conversa com o Conselho, mostra como uma decisão de processo ajudou a reduzir churn ou a viabilizar uma nova linha de receita. Mais do que comandar o chão de fábrica, ele consegue explicar por que aquilo que acontece ali é o que sustenta o crescimento da empresa lá na frente.
E mais: não concentra tudo em si. Constrói uma operação que segue rodando sem depender dele — porque está focado no que vem depois. É o tipo de COO que, quando a conversa sobre sucessão começa, já está na mesa antes de ser citado.
Capítulo 04 A lição para quem mira o topo
Se você ocupa — ou quer ocupar — um cargo de COO, precisa entender: performance e política caminham juntas.
O melhor COO que conheci quase foi demitido não porque não entregava. Mas porque não estava onde as decisões aconteciam. Hoje, excelência operacional é o básico. O diferencial está em construir influência — e isso não acontece por acaso.
Significa sentar à mesa das decisões antes do problema aparecer, criar alianças com áreas que pensam o negócio e narrar suas entregas em uma linguagem que o board compreende e valoriza. Significa ser visto como alguém que constrói o futuro da empresa, e não só quem garante o presente funcionando.
É esse posicionamento que transforma o COO em um nome inevitável na conversa sobre sucessão.
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