Essa semana, o Valor Econômico publicou uma matéria com um título que naturalmente me chamou atenção: “Menos de um quarto dos CEOs recomendaria seu RH para outras empresas.”
A primeira reação de muita gente talvez seja olhar para esse dado como uma reprovação ao RH. Mas eu olharia com um pouco mais de cuidado.
Na minha rotina conversando com CEOs, conselheiros, CHROs e executivos de diferentes áreas, vejo que a pauta de pessoas aparece o tempo todo. E é por isso que acho perigoso ler esse dado como uma questão exclusiva de performance do RH. Em muitas empresas, o RH não está distante da estratégia porque quer. Ele está distante porque entra tarde demais na conversa.
Isso não elimina a responsabilidade da área, claro. Mas também coloca uma responsabilidade na mesa dos CEOs: não dá para cobrar protagonismo de uma área que não recebe mandato, autonomia e espaço para influenciar.
Capítulo 01 Em resumo: o RH precisa evoluir? Sem dúvidas.
Em resumo: o RH precisa evoluir? Sem dúvidas. A própria pesquisa mostra um descompasso entre o que os CEOs esperam e o que percebem na prática. Entre os entrevistados, 46% esperam que o RH atue como estrategista de negócio, mas apenas 37% enxergam essa competência no líder de RH atual.
O líder de RH que quer ocupar um espaço mais estratégico precisa falar a língua do negócio. Precisa entender de margem, produtividade, crescimento, modelo operacional, sucessão, tecnologia e dados. Só entender de gente continua sendo essencial, mas já não é suficiente.
Capítulo 02 A pesquisa mostra que mais da metade das empresas ouvidas não possui uma cadeira de RH no comitê executivo.
A pesquisa mostra que mais da metade das empresas ouvidas não possui uma cadeira de RH no comitê executivo. Em alguns casos, essa cadeira existiu e foi perdida. Isso diz muito. Uma coisa é afirmar que pessoas são prioridade. Outra é colocar a liderança de pessoas dentro das conversas difíceis sobre crescimento, cortes, produtividade, cultura, sucessão e futuro do negócio.
E talvez seja aí que a discussão fique mais interessante. Muitas empresas ainda tratam tecnologia, sistemas e processos como investimento, mas tratam gente como custo.
Por isso, não vejo esse dado como uma sentença contra o RH. Vejo como um alerta para os dois lados. Para o RH, o recado é claro: é preciso ampliar repertório. Para os CEOs, o ponto também é claro: não dá para tratar pessoas como prioridade no discurso e manter o RH longe das decisões que definem o futuro da empresa.
Acesso antecipado
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