Nos últimos anos, temos falado muito sobre sucessão nas organizações. Na Evermonte, esse tema nunca saiu do radar, mas ele ganhou uma nova dimensão desde que o Evermonte Institute passou a estruturar e conduzir nossas pesquisas sobre o assunto.
Sim, essa não é a primeira vez que lançamos um estudo sobre planejamento sucessório. Mas posso dizer, com tranquilidade, que é a mais completa. E o motivo é simples: hoje, temos mais do que curiosidade e acesso — temos método, profundidade e uma equipe dedicada a analisar, sistematizar e transformar os aprendizados do mercado em conhecimento prático.
Aliás, essa é a parte que mais me entusiasma: ver como a experiência de campo alimenta o estudo, e o estudo alimenta a prática.
Tenho conduzido alguns projetos estratégicos de sucessão para grandes empresas brasileiras. E, em todos eles, os dados da pesquisa serviram como bússola. Eles mostram onde o mercado está errando, onde estão os pontos cegos e por que, mesmo com tanta conversa sobre sucessão, a prática ainda é frágil, descontínua e, muitas vezes, reativa.
Mas tem mais: ao mesmo tempo em que os dados me ajudam a construir soluções mais eficazes com meus clientes, minha própria vivência nesses projetos também retorna para o estudo. O que significa que essa pesquisa carrega, de certa forma, um pedaço da minha trajetória também — e da trajetória de tantos colegas que estão no front, tentando transformar sucessão em processo e não apenas em plano.
Temos falado muito sobre a distância entre discurso e ação. E essa distância continua grande. Planejamento sucessório ainda é visto como algo delicado, quase um tabu em algumas empresas. Muitas vezes ligado à disputa de poder, outras tantas adiado em nome de entregas urgentes. E é aí que mora o risco: sem sucessão, não tem continuidade. E sem continuidade, a estratégia fica órfã.
O que o estudo deste ano mostra, com clareza, é que ainda temos um longo caminho pela frente — mas também mostra que há um movimento de maturação, ainda que lento. Há empresas querendo fazer diferente. Querendo fazer melhor.
E é por isso que seguimos investindo nesse tipo de conteúdo. Porque acreditamos que informação de qualidade pode acelerar mudanças. E porque sabemos que as lideranças do futuro não vão surgir por acaso — elas precisam ser cultivadas hoje.
Aqui estão alguns highlights da pesquisa:
- Só 8,1% das empresas têm um plano de sucessão formal, consistente e acompanhado pelas lideranças.
- 29,2% não têm absolutamente nenhum plano ou mapeamento.
- Mesmo assim, mais da metade reconhece o tema como importante ou muito importante — o que só escancara o gap entre intenção e ação.
- Os critérios mais usados para identificar sucessores ainda são técnicos — feedbacks de pares e subordinados são considerados por apenas 24,8% das empresas.
- Cultura organizacional, foco no curto prazo e falta de priorização são os grandes entraves à construção de planos de sucessão sólidos.
- Diversidade e inclusão ainda estão fora da equação: quase metade das empresas não considera o tema no planejamento sucessório.
- A maioria revisa o plano só quando necessário (34,2%) — ou nunca (28,6%).
Seguimos nesse debate por aqui, trazendo dados, aprendizados e reflexões sobre como as empresas podem transformar a sucessão em um processo contínuo e estratégico.
Acesso antecipado
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