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O RH está mudando. Mas está conseguindo sustentar essa mudança?

14 de Maio, 2026 | Notícia

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O RH finalmente passou a ser chamado para conversas que antes aconteciam sem ele. Isso, por si só, já diz muita coisa sobre o momento que as empresas estão vivendo. Mas a área está mesmo conseguindo sustentar esse novo papel?

Isso, por si só, já diz muita coisa sobre o momento que as empresas estão vivendo.

Mas a área está mesmo conseguindo sustentar esse novo papel?

Quando eu olho para o que tem acontecido no mercado, a sensação que eu tenho é que o RH entrou, de fato, em outro nível de expectativa. Hoje se espera que a área entenda de negócio, participe das discussões mais relevantes, ajude a conduzir transformação, apoie decisões críticas de liderança e ainda faça tudo isso sem perder consistência na operação.

Capítulo 01 É um avanço importante. Mas também é um teste.

Porque uma coisa é o RH passar a ser convidado para uma conversa mais estratégica. Outra, bem diferente, é conseguir se manter nesse lugar com repertório, influência e capacidade de execução.

10,7%

A pesquisa People Trends 2026 ajuda a traduzir bem esse momento. No Brasil, apenas 10,7% das lideranças ouvidas dizem que a área de Pessoas está predominantemente orientada à agenda estratégica de médio e longo prazo. A maioria, 62,7%, fala em equilíbrio entre operação e estratégia, enquanto 26,7% ainda descrevem uma atuação predominantemente operacional.

Esse dado me chama atenção porque ele desmonta uma leitura apressada de que a transformação do RH já aconteceu por completo. Não aconteceu. O que existe, na verdade, é uma área em transição. Uma área que ganhou espaço, mas ainda carrega um peso operacional muito grande. Uma área que foi empurrada para mais perto da estratégia, mas que ainda precisa responder, todos os dias, a urgências que consomem tempo e energia.

Os bons profissionais de RH querem dar o próximo passo. E isso é ótimo. Querem ampliar escopo, participar mais das decisões, sair de uma posição de apoio e ocupar um espaço mais ativo na construção do negócio. Só que esse salto não depende apenas de dominar melhor os instrumentos da área. Ele passa por outra camada de maturidade.

Capítulo 02 Passa por entender as nuances da organização

Passa por entender as nuances da organização. Passa por saber lidar com a política, com a tensão entre curto e longo prazo, com líderes de perfis diferentes, com interesses que nem sempre estão explícitos. Passa por falar a língua do negócio sem abandonar a profundidade da agenda de Pessoas.

71%

O próprio estudo mostra que 71% enxergam people analytics e tecnologia como a maior frente de reconfiguração da área, mas apenas 9,3% dizem realizar análises estruturadas e recorrentes, com uso de dados para previsibilidade e suporte à tomada de decisão estratégica. Ao mesmo tempo, 48% afirmam ter apenas dados básicos, ainda pouco organizados e com uso limitado em decisões.

Esse contraste é bastante simbólico. O RH sabe para onde precisa ir. Mas ainda está construindo as condições para chegar lá.

Capítulo 03 A ambição cresceu mais rápido do que a capacidade.

É conseguir sustentar um RH mais estratégico sem desmontar a operação. É ampliar influência sem perder consistência. É ganhar presença nas decisões mais relevantes sem virar apenas mais uma área atravessada por expectativa demais e estrutura de menos.

Capítulo 04 No fim, a pergunta que fica para mim é menos sobre intenção e mais

No fim, a pergunta que fica para mim é menos sobre intenção e mais sobre sustentação.

O RH quer crescer. O mercado espera que ele cresça. Os temas que chegam à área são cada vez mais decisivos para o futuro das empresas.

Mas as organizações estão, de fato, criando as condições para que esse crescimento se sustente?

Talvez seja exatamente esse o ponto do momento atual.

O RH mudou. E mudou bastante.

Agora começa a parte mais exigente dessa história.

Sustentar a mudança dentro de estruturas que ainda estão aprendendo a lidar com ela.

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