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O RH olha para as pessoas. Mas quem olha para o RH?

16 de Junho, 2025 | Artigo

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O papel positivo do RH dentro das organizações é inquestionável. Seja promovendo o engajamento, fortalecendo a cultura ou conduzindo transformações, as lideranças de Pessoas ocupam uma posição central na construção do sucesso empresarial. No entanto, uma questão vem sendo fortemente negligenciada e merece destaque: se o RH é responsável pelo bem-estar dos colaboradores, quem assume a responsabilidade por engajar e efetivamente reter o próprio RH?

Atualmente, os números nos mostram uma realidade preocupante. Cerca de 32,3% das lideranças de RH estão ativamente buscando novas oportunidades, enquanto 56,4% estão abertas a movimentações de carreira. Ou seja, quase 9 em cada 10 líderes da área estão abertos a realizar uma movimentação e deixar seus cargos no próximo ano. Esse cenário se agrava quando consideramos que 83% relata esgotamento em suas funções, de acordo com dados da Sage Group (2024).

Se o RH é o pilar que sustenta o equilíbrio das organizações, o que acontece quando esses profissionais tão essenciais enfrentam sobrecarga e desafios que comprometem sua atuação? Quem assegura que suas demandas sejam reconhecidas e atendidas?


Capítulo 01 Os desafios estruturais do RH

Por trás das estatísticas, há uma série de dificuldades estruturais que explicam por que os líderes de RH estão repensando suas carreiras. Um dos maiores desafios é a sobrecarga emocional e mental. Transformações digitais, mudanças culturais e crises organizacionais tornaram o trabalho do RH ainda mais exigente. O papel que antes estava concentrado em questões administrativas agora envolve decisões mais amplas e complexas, frequentemente tomadas sob alta pressão.

Além disso, a falta de perspectiva de crescimento é uma queixa comum. Cerca de 27,4% das lideranças de RH não enxergam oportunidades claras de avanço em suas empresas, enquanto apenas 19,4% afirmam ver possibilidades concretas no curto prazo. Esse descompasso entre esforço e reconhecimento contribui diretamente para a insatisfação desses profissionais.

Outro ponto crítico é a insegurança sobre o futuro no cargo. Em 2024, 82% dos líderes de RH expressam preocupação com sua estabilidade, um aumento significativo em relação aos 66% registrados no ano anterior. Logo, essa tendência não é isolada. Ela reflete uma realidade global na qual a pressão por resultados, combinada à falta de suporte e outros tantos fatores, está gerando insatisfação em um nível alarmante.

Capítulo 02 O que acontece se o RH parar?

Primeiramente, há o risco de perda de profissionais estratégicos. Sem uma liderança forte e engajada no RH, o processo de retenção torna-se ainda mais complexo, comprometendo a competitividade da organização. Além disso, a cultura organizacional, um dos maiores ativos de qualquer empresa, corre sério risco. A ausência de líderes de RH capazes de sustentar e evoluir essa cultura resulta em menor engajamento, baixa produtividade e, por consequência, gera resultados financeiros insatisfatórios.

O impacto financeiro, aliás, vai além da produtividade. A rotatividade de líderes de RH gera custos altos para as empresas, tanto em termos de recrutamento quanto de perda de continuidade em projetos estratégicos. Cada mudança de liderança significa uma pausa nos avanços e uma necessidade de recomeçar processos. Portanto, investir no bem-estar das lideranças de RH não é apenas uma questão de empatia. É uma decisão que protege os interesses da organização no longo prazo.

Capítulo 03 As organizações devem direcionar seus olhares às lideranças de Pessoas

Se as empresas direcionam recursos significativos para áreas como Vendas, Operações e Tecnologia, por que o RH continua sendo tratado como um centro de custo, e não como um parceiro estratégico? Essa mentalidade precisa mudar. O RH é essencial para o funcionamento de toda a empresa, e prezar por sua permanência é tão importante quanto investir em qualquer outro setor.

Começar essa transformação requer ações práticas. O ponto de partida é oferecer perspectivas claras de crescimento e valorização. Quando líderes de RH conseguem visualizar um futuro promissor dentro da organização, sua motivação para permanecer e entregar resultados de excelência aumenta significativamente. Além disso, é fundamental assegurar que o setor disponha de recursos e autonomia suficientes para executar suas iniciativas. Isso inclui investimentos em tecnologia, capacitação e infraestrutura, além de envolver esses profissionais nas decisões estratégicas da empresa, reforçando seu valor nos discursos e práticas organizacionais.


Empresas que valorizam seu RH demonstram, na prática, seu compromisso com o valor das pessoas – começando pelos próprios líderes que tornam isso realidade. Transformar esse cenário exige uma mudança na maneira como o RH é percebido. Caso contrário, em 2025, cerca de 88,7% das lideranças de Pessoas poderão optar por deixar suas companhias.

Na sua organização, quem está olhando para o RH?

Faça download do estudo People Trends 2025 clicando no link: peopletrends.com.br

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