Muitas empresas já entenderam que precisam de um RH melhor. O que nem todas entenderam ainda é quanto custa, de fato, atrair esse profissional.
E eu não digo isso apenas do ponto de vista de remuneração. Digo também em termos de escopo, autonomia, acesso à tomada de decisão e clareza sobre o que se espera dessa cadeira.
Muitas organizações já sabem descrever bem o profissional que procuram: alguém próximo do negócio, com repertório para falar com o CEO, maturidade para apoiar sucessão, visão para redesenhar estruturas e capacidade de sustentar conversas difíceis com liderança.
Tudo isso faz sentido. Mas, na hora de precificar essa cadeira, ainda aparece uma certa hesitação. E talvez esse seja um bom lugar para começar a conversa.
Capítulo 01 O mercado ainda remunera melhor aquilo que consegue enxergar com mais facilidade
Quando uma empresa está buscando um CFO, um CRO ou um diretor comercial forte, a discussão sobre pacote costuma partir de uma premissa mais objetiva. São cadeiras caras porque o impacto é visível. A empresa pode até negociar pacote, comparar referências e calibrar variável, mas dificilmente questiona a criticidade da posição.
Com o RH, a dinâmica ainda é um pouco diferente. Não porque as empresas não reconheçam a importância da área. Reconhecem, e cada vez mais. Mas existe uma distância entre reconhecer a importância de Pessoas e saber precificar, com maturidade, o impacto econômico de uma liderança forte nessa cadeira.
No nosso Report de Remuneração Diretoria Executiva 2026, a remuneração anual total de curto prazo de um CHRO em empresas de até R$ 500 milhões de faturamento aparece em torno de R$ 631 mil. Em empresas entre R$ 500 milhões e R$ 5 bilhões, chega a aproximadamente R$ 911 mil. Já em companhias acima de R$ 5 bilhões, alcança cerca de R$ 1,477 milhão. É uma remuneração relevante, sem dúvida. Mas, quando olhamos para outras cadeiras na mesma faixa de porte, a comparação ajuda a mostrar onde o mercado ainda está calibrando sua percepção de valor: CFOs chegam a cerca de R$ 1,995 milhão, CROs a R$ 1,907 milhão e CCOs a R$ 1,685 milhão.
Não gosto de transformar esse dado em uma disputa entre áreas. Seria uma leitura pobre. Diretorias das áreas de Finanças, Receita e Comercial são cadeiras críticas, e é natural que sejam muito valorizadas. A reflexão que me parece mais interessante é que o mercado ainda remunera melhor aquilo que consegue enxergar com mais facilidade. O que ainda precisa amadurecer é a compreensão de que algumas decisões de Pessoas têm impacto econômico direto, mesmo quando esse impacto não aparece imediatamente em uma linha do demonstrativo.
Capítulo 02 A demanda por RH cresceu. Reconhecer seu valor econômico ainda é um caminho a percorrer
Isso não significa que toda empresa precisa pagar o maior pacote do mercado. Remuneração precisa fazer sentido para o porte, o momento, a complexidade e a realidade de cada organização. Mas existe uma diferença entre calibrar com responsabilidade e subestimar a cadeira.
No próprio report, a Diretoria de Pessoas aparece entre as cinco diretorias mais demandadas para 2026. Isso confirma algo que temos visto na prática: existe uma busca real por lideranças de RH mais preparadas para lidar com temas críticos de gestão, transformação e sucessão.
A demanda está aí, e a valorização também avançou. Mas ainda existe um caminho importante entre demandar mais lideranças de RH e reconhecer, de forma mais consistente, o valor econômico da função. E aqui eu faço questão de dizer algo para os profissionais da área: essa valorização também passa pela forma como o próprio RH apresenta seu impacto. Quanto mais a área conseguir traduzir sua contribuição, e conectar sua agenda aos temas que movem a organização, mais difícil será tratá-la como uma função periférica.
No fim, talvez o RH que a sua empresa precisa realmente custe mais do que você imaginava. Mas, se ele for bem escolhido, bem posicionado e tiver espaço para atuar, provavelmente vai custar muito menos do que continuar subestimando essa cadeira.
Acesso antecipado
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