À medida que as organizações passam a operar em um contexto mercadológico de complexidade e incerteza, a liderança de Recursos Humanos pode contribuir significativamente para a melhoria dos resultados. Isso depende de uma atuação proativa, inovadora e de longo prazo, com foco voltado ao desenvolvimento de habilidades.
Para desempenhar esse papel com eficácia, o CHRO deve – além de atentar-se às tendências futuras – agir com base no cenário atual. A utilização da tecnologia como instrumento para aumentar a produtividade está se tornando cada vez mais inerente à realidade organizacional. O processo de digitalização do RH requer uma abordagem personalizada, que fomente a obtenção de valor estratégico para a companhia.
Capítulo 01 A digitalização que ainda não chegou ao RH
De acordo com a pesquisa HR Trends Report 2023, da McLean & Company, a digitalização ainda não se encontra na lista de prioridades das organizações para a área de Recursos Humanos. Esse dado revela um paradoxo: embora a conjuntura atual esteja intimamente ligada ao progresso tecnológico, ainda há diversas barreiras a serem superadas – sobretudo nas frentes de governança.
A modernização de quaisquer processos ou sistemas dentro do âmbito corporativo requer disponibilidade de recursos, e estes só podem ser alcançados por meio do apoio da liderança. Sem isso, qualquer agenda digital do RH fica condenada à inércia.
Além disso, o planejamento é imprescindível. Sem uma estratégia concreta e adequada aos objetivos da companhia, a jornada de transformação digital que já é árdua por natureza se complexifica ainda mais. Esse é apenas um dos motivos pelos quais o papel do RH como parceiro estratégico vem aumentando de maneira contínua desde 2020.
Capítulo 02 O retorno mensurável de ter o RH como parceiro estratégico
Quando a liderança de Recursos Humanos se torna um parceiro estratégico do negócio, os números mostram diferenças expressivas em três dimensões críticas para qualquer companhia:
Ganho 01
1,5x mais
de probabilidade de capitalizar novas oportunidades de mercado, em comparação com empresas onde o RH não atua como parceiro estratégico.
Ganho 02
1,3x mais
de probabilidade de gerar e implementar novas ideias. O RH estratégico funciona como acelerador da inovação organizacional.
Ganho 03
1,3x mais
de eficácia em diversidade, equidade e inclusão. A agenda DEI deixa de ser intenção para virar resultado mensurável.
"Os executivos seniores anseiam por um CHRO que cumpra esse papel antecipando as capacidades de talento necessárias para uma cultura de alto desempenho, alinhada à estratégia e aos propósitos do negócio."
Para fazer isso na prática, o processo de digitalização é fundamental. Com as ferramentas certas, é possível delinear um caminho autêntico para o sucesso já que a transformação digital do RH está fortemente associada ao desempenho e à eficiência. Quatro ações se mostram, mais do que nunca, essenciais para que a área seja reconhecida pela sua atuação estratégica.
Capítulo 03 As quatro ações que reposicionam o RH
Cada uma das quatro frentes a seguir endereça um aspecto diferente da reconfiguração estratégica do RH. Atuam em conjunto: a fragilidade em uma delas compromete o resultado das outras.
Ação 01
Renovação de processos e sistemas
Revisão abrangente dos processos de negócio existentes e dos sistemas que os suportam. Adoção de tecnologias inovadoras e transição para a cultura analítica.
Ação 02
Cultura analítica e orientação a dados
Preocupar-se com as informações contidas nos números e ultrapassar a superficialidade. Sem dados próprios, transfere-se a responsabilidade da decisão a terceiros.
Ação 03
Engajamento e produtividade
Comunicar com acessibilidade e transparência. Estabelecer metas claras, promover desenvolvimento dos colaboradores e gerir performance com confiança planejada.
Ação 04
Requalificação e atualização
Diagnosticar insuficiências de competência e agir sobre elas, garantindo que os colaboradores adquiram as habilidades para se adaptarem às mudanças do negócio.
Capítulo 04 Renovação e cultura analítica: a infraestrutura da virada
Embora tradicionalmente o CHRO esteja mais envolvido com questões relacionadas às pessoas, seu papel tem se expandido para incluir outras iniciativas de transformação organizacionalentre elas, a revisão abrangente e o aprimoramento dos processos de negócio existentes e dos sistemas de informação que os suportam.
Essa renovação envolve, principalmente, a adoção de tecnologias inovadoras e a transição à cultura analítica. E aqui há um ponto importante de princípio: depender de terceiros para criar visões do mundo é o mesmo que transferir a responsabilidade na tomada de decisão.
Independentemente da automatização de processos internos, estruturar uma cultura analítica significa preocupar-se com as informações contidas nos números e ultrapassar a superficialidade. Com orientação voltada a dados, os resultados se otimizam e a lucratividade passa a acompanhar esse mesmo nível de crescimento.
Capítulo 05 Engajamento e requalificação: o lado humano da virada digital
Com o surgimento de novas modalidades de trabalho, os líderes de RH passam a enfrentar mais um desafio: fomentar o engajamento e a produtividade dos funcionários. Para tanto, é preciso comunicar com acessibilidade e transparência, compartilhando informações e atualizações regulares para orientar com clareza as expectativas em relação ao trabalho híbrido ou remoto.
Não basta. É preciso também estabelecer metas, promover o desenvolvimento dos colaboradores e gerir performance através da confiança planejadaequilibrando autonomia e direcionamento de forma consistente.
A última camada é a mais determinante para o longo prazo: a requalificação. Sem pessoas qualificadas, dificilmente uma companhia será bem-sucedida. Uma das funções do CHRO é diagnosticar as insuficiências e agir sobre elas com propriedade garantindo que os colaboradores adquiram as habilidades e os conhecimentos necessários para se adaptarem às mudanças.
"Através de uma cultura de aprendizado contínuo, é possível avaliar o impacto e a eficácia da requalificação. E, com isso, tomar decisões verdadeiramente assertivas sobre desenvolvimento de pessoas."
Capítulo 06 O que essas ações têm em comum
Renovação de processos. Cultura analítica. Engajamento e produtividade. Requalificação. Quatro frentes diferentes, com pontos de partida distintos e objetivos próprios. Mas há um elemento que conecta todas elas e que define se a virada do RH vai realmente acontecer ou ficar no plano da intenção.
Quanto mais digitalizados forem esses processos, maiores serão os ganhos culturais da companhia. A digitalização não substitui o RH – ela libera o RH para fazer o que sempre foi seu papel mais nobre: estratégia, desenvolvimento e cultura.
O CHRO que entender essa lógica deixa de ser visto como o líder de uma área-meio e passa a ser tratado como parceiro estratégico do CEO. Os dados já mostram o que está em jogo: empresas com RH estratégico capitalizam mais oportunidades, inovam mais e entregam mais resultado em diversidade. O que falta, agora, é a decisão da liderança de bancar essa transição com investimento, tempo e respaldo de governança.
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