“É na Expointer que o resultado do ano de trabalho do agro é visto.”
A frase da subsecretária Elizabeth Cirne Lima diz muito — e talvez mais do que percebem aqueles que passam pelos portões do Parque Assis Brasil sem prestar atenção no que realmente está em jogo. A Expointer não é apenas uma feira. É espelho, é palco e, acima de tudo, é termômetro.
Se hoje quase tudo pode ser resolvido por e-mail, chamada de vídeo ou plataforma digital, por que ainda insistimos em estar fisicamente em Esteio?
A resposta está no próprio movimento da feira. Mais de 800 mil visitantes. R$ 8 bilhões em negócios. Compradores de todos os cantos do país. E mesmo depois de um ano marcado por enchentes históricas, a Expointer segue firme — talvez mais necessária do que nunca.
Isso não é coincidência. É sinal de que o contato direto, o olho no olho e a presença no campo ainda têm um peso que nenhuma tecnologia é capaz de substituir.
Talvez seja hora de parar de olhar para a Expointer como apenas um evento no calendário — e começar a enxergá-la como o que ela realmente é: uma plataforma viva, onde o agro se mostra, se ouve e se reinventa.
Capítulo 01 Onde o agro se encontra para decidir
Quem frequenta a feira com atenção sabe: os estandes são apenas a ponta do iceberg.
Ali se tomam decisões de peso. Anunciam-se programas de crédito, negociam-se dívidas rurais, articulam-se políticas públicas. Em cada corredor do parque, há conversas que não aparecem no noticiário, mas que moldam o cenário do agro nos bastidores.
A presença de produtores de fora do Estado confirma o que já virou realidade: a Expointer deixou de ser apenas gaúcha — hoje ela é uma referência nacional. Isso tem a ver, claro, com a força do agro local, mas também com a capacidade da feira de conectar pessoas, lideranças e soluções.
E há um fator curioso: mesmo quando o setor projeta retração, os números surpreendem. “Acontece uma mágica”, diz Cirne Lima. Talvez não seja mágica, e sim confiança. A Expointer virou um barômetro — quem pisa ali quer sair com uma direção clara sobre o que vem pela frente.
Capítulo 02 Desafios à vista — e à prova
Por trás dos números impressionantes, o setor carrega desafios reais — e a feira, ao invés de esconder, acaba revelando com clareza as tensões que ainda precisam ser enfrentadas.
As enchentes recentes colocaram o clima definitivamente no centro das discussões — e a própria organização da feira passou a incorporar soluções tecnológicas voltadas à mitigação de eventos extremos. Em paralelo, o endividamento rural segue como uma pauta sensível, que mobiliza governo, instituições financeiras e lideranças do setor. A Expointer, nesse contexto, tem funcionado como um espaço de articulação para avançar em medidas de renegociação e apoio aos produtores.
Capítulo 03 Retrato de um agro em movimento
O tema deste ano — “Nosso futuro tem raízes fortes” — carrega um ponto de tensão que o agro conhece bem: crescer, modernizar, transformar. Mas sem abrir mão daquilo que sustenta.
E a Expointer dá forma a essa ideia. De um lado, mostra a excelência do agro brasileiro: genética de ponta, inovação em escala, negócios que projetam o setor para o país e para o mundo. De outro, lembra que ainda há terreno a cuidar — nas estruturas, no ambiente, no acesso às soluções que sustentam o crescimento.
O Parque Assis Brasil funciona como um retrato fiel dessa dinâmica: tradição e modernização caminhando juntas, com força, mas também com consciência.
No fim das contas, talvez a pergunta não seja se ainda precisamos da Expointer — e sim como ela nos ajuda a enxergar, com mais clareza, o agro que queremos daqui pra frente.
Porque mais do que uma vitrine ou um palco, a feira segue sendo um espaço de encontros que importam: entre quem produz e quem pesquisa, quem investe e quem negocia, quem decide e quem vive o campo no dia a dia.
É nesse terreno — entre a prática e a escuta, entre o que somos e o que queremos ser — que a Expointer segue relevante. Não como símbolo do passado, mas como espaço vivo de construção do futuro.
Acesso antecipado
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