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Por que executivos brasileiros de RH estão na mira de empresas europeias?

6 de Agosto, 2024 | Artigo

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Em linhas gerais, diversas lideranças brasileiras têm despertado interesse em multinacionais europeias. Na área de Recursos Humanos, esse cenário ganha ainda mais expressividade – sobretudo em função de temáticas como negociação salarial e sindical, além de assuntos como dissídio, cujas especificidades não costumam ser exploradas no âmbito internacional.

As múltiplas experiências de executivos brasileiros caracterizam-se como fator de grande influência para o aumento dessa procura. As distintas realidades mercadológicas vivenciadas ao longo da carreira propiciam uma bagagem bastante apreciada por países europeusonde, de forma majoritária, as formações de líderes ocorrem em uma única escola, normalmente pautada pela projeção interna.

Capítulo 01 Por que o Brasil entrou no radar europeu

Com o envelhecimento da população europeia, restringir-se apenas ao contexto nacional pode, no médio e longo prazo, gerar problemas significativos de gestão. Sabendo disso, muitos RHs já estão se preparando para atender às demandas desse novo mercado e encarar as idiossincrasias que o acompanham.

Na busca de companhias europeias por gestores de Recursos Humanos que possam preencher suas insuficiências, esse é um ótimo período para as lideranças brasileiras. O que parece um movimento isolado é, na verdade, parte de uma reconfiguração mais ampla do mercado europeu que combina envelhecimento demográfico, pressões inflacionárias inéditas e necessidade de internacionalizar suas estruturas de liderança.

Capítulo 02 Os números que comprovam a virada

De acordo com o estudo Global Hiring Report, publicado pelo Valor Econômico, hoje o Brasil ocupa posição de destaque entre as alternativas de contratação de empresas estrangeiras. O movimento é mensurável e crescente:

Ranking global

4º lugar

O Brasil ocupa o quarto lugar entre as alternativas de contratação de empresas estrangeiras, em um ranking que considera 150 países avaliados.

Crescimento de demanda

+50% em 12 meses

Entre setembro de 2022 e setembro de 2023, houve um aumento de 50% no número de brasileiros empregados por companhias estrangeiras. A perspectiva é que o crescimento se intensifique.

Macroeconômico

IPCA em 4,60%

O Brasil encerrou 2023 com o Índice de Preço ao Consumidor Amplo em 4,60% invertendo a conjuntura global. A Europa ainda aprende a conviver com hiperinflação que aqui já é conhecida.

Diversos países da União Europeia tiveram alta considerável na Taxa de Inflação. O Brasil, que já vivenciou esse mesmo momento em outros períodos de sua história, terminou 2023 em direção contrária. Agora, os países da Europa precisam aprender a conviver com a hiperinflação – cujas implicações já são extremamente conhecidas no mercado brasileiro.

Capítulo 03 A bagagem brasileira como ativo competitivo

Com a complexificação dos processos de remuneração e benefícios, somada ao aumento da tensão sindical em função da questão inflacionária, executivos brasileiros que possuem skills relacionadas a essas áreas são, muito possivelmente, a maior aposta das organizações da UE.

"Conhecimento, repertório, experiência e domínio do assunto: é isso que as empresas europeias estão buscando. Em temas que para elas são novidade, o RH brasileiro tem décadas de prática consolidada."

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Outro aspecto observável é uma progressiva conscientização sobre a importância do recrutamento especializado. Organizações europeias possuem uma realidade singular e, para encontrar e reter talentos dispostos a gerenciá-la, principalmente na área de Pessoas, estão partindo para um processo massivo de globalização do quadro de lideranças.

A preparação para receber esses executivos costuma se desenrolar em três fases consecutivas, cada uma com sua finalidade específica:

Fase 01

Expatriação

As empresas direcionam esforços a períodos de expatriação para introduzir a nova liderança à cultura organizacional. É o momento de imersão e aprendizado do novo contexto.

Fase 02

Retenção

Os recursos são destinados à adequação contínua ao clima da instituição e à recepção positiva em termos de localidade. Sustentar a permanência é tão crítico quanto trazer.

Fase 03

Aperfeiçoamento contínuo

Algumas empresas se preocupam em manter uma mentalidade multidisciplinar, investindo na diversificação de saberes e no aperfeiçoamento de longo prazo da liderança importada.

Capítulo 04 Duas áreas em destaque: remuneração e relações sindicais

Historicamente, a negociação salarial sempre teve importância na área de Recursos Humanos. Hoje, esse conhecimento pode trazer inúmeros benefícios a nível internacional. Com a alta da inflação, saber como negociar remuneração e benefícios é crucial para a saúde e a continuidade do negócio.

Agir com estratégia é o primeiro passo, e as lideranças de RH sabem disso. Entretanto, é necessário compreender o panorama internacional para posicionar-se com propriedade e atrelar os anseios de ambas as partes com assertividade. A experiência no mercado brasileiro é, sem dúvida, um relevante diferencial competitivo.

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As perguntas mais frequentes estão relacionadas ao dissídio salarial – acordo entre empresa e colaboradores para reajuste percentual do salário com base na inflação. Como esse cenário de IPCA elevado é novidade em países europeus, lidar com seus efeitos pode ser tarefa difícil para quem não tem o know-how. Lideranças brasileiras de RH estão suprindo essa lacuna.

À medida que a inflação aumenta, os sindicatos também se potencializam – sobretudo em seu papel representativo da negociação salarial, constituindo uma relação mais estruturada com a área de RH. Executivos que detêm conhecimento sobre relações trabalhistas e sindicais possuem grande potencial para adentrar o mercado europeu, cuja realidade contemporânea demanda profissionais altamente capacitados.

Capítulo 05 Uma oportunidade que vai além do salto individual

Com flexibilidade, adaptabilidade e investimento em programas de onboarding, somados aos impasses advindos da alta da inflação, a tendência é que cargos mais altos sejam cada vez mais ocupados por líderes de outros países. E há uma expectativa razoável de que os executivos brasileiros ocupem cada vez mais o topo da cena global.

Esse movimento é, ao mesmo tempo, oportunidade individual e oportunidade coletiva:

Oportunidade 01

Salto individual de carreira

Para o executivo brasileiro, é a chance de levar competências testadas em um dos mercados mais complexos do mundo para companhias que valorizam exatamente esse repertório.

Oportunidade 02

Salto coletivo de visibilidade

Para o Brasil, é o reconhecimento de uma escola de RH historicamente subestimada que agora se posiciona como referência em temas que o mundo está aprendendo a enfrentar.

Em mercados onde a inflação era novidade até pouco tempo atrás, a expertise brasileira em remuneração, dissídio e negociação sindical não é apenas um diferencial técnico – é um repertório raro que o mercado europeu, agora, paga para acessar. O que era visto como peso do contexto brasileiro virou competência exportável.

O recado para o RH brasileiro é direto: o mercado global está olhando para cá. Resta saber quantos vão se preparar para responder à altura e quantos descobrirão tarde demais que estavam, sem perceber, sentados sobre um ativo de carreira que o resto do mundo demorou para reconhecer.

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