Nos últimos meses, tenho observado um movimento interessante em toda a América Latina, especialmente no Brasil. As conversas sobre energia renovável têm ganhado cada vez mais força, e um dos principais focos dessa discussão é o etanol. Não é à toa. O etanol, que pode ser produzido a partir de fontes renováveis como a cana-de-açúcar e o milho, está se consolidando como uma peça central na estratégia nacional de diversificação energética.
Recentemente, o governo brasileiro começou a falar no aumento da quantidade de etanol na gasolina – passando de 30%. Na prática, o objetivo é reduzir a nossa dependência de combustíveis fósseis e nos colocar um passo à frente na luta contra as mudanças climáticas – mas, é claro, ainda é um assunto que será bastante debatido. Além disso, esse movimento está trazendo uma onda de investimentos, principalmente em novas operações industriais voltadas à produção de etanol, tanto aqui no Brasil quanto em outros países da América Latina.
Oportunidades não faltam – desde novas parcerias de negócios até um crescimento considerável na geração de empregos. Mas o que nem sempre é dito com tanta clareza é que, com o aumento dessas operações, vem uma série de desafios que não são só técnicos. Executivos que estão à frente desses projetos de expansão têm o difícil papel de gerenciar plantas industriais em regiões afastadas dos grandes centros urbanos, o que não é uma tarefa simples. A questão é que, nesses locais, encontrar profissionais especializados que queiram assumir uma posição de liderança nem sempre é uma tarefa fácil, e isso pode se tornar um grande obstáculo para o sucesso do projeto.
Capítulo 01 Tendências no mercado de etanol e expansão industrial
A produção de etanol, tanto de cana-de-açúcar quanto de milho, já faz parte da realidade energética do Brasil há muitos anos. O que estamos vendo agora é um aumento na demanda global por fontes renováveis, e o etanol está no centro dessa transição. O lobby para aumentar a porcentagem de etanol na gasolina vem ganhando força, e o setor privado já está se movimentando para atender a essa nova demanda.
No Rio Grande do Sul, esse movimento é especialmente interessante. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o estado viu um aumento de 66,8% nas vendas de etanol hidratado em 2023, um volume recorde nos últimos cinco anos. Além disso, a região Norte do RS está se tornando uma referência na produção de etanol, com três grandes projetos em Passo Fundo, Viadutos e Carazinho, e mais duas iniciativas em Júlio de Castilhos e Santiago, conforme aponta a reportagem.
Com isso, empresas que antes tinham operações menores, limitadas a uma ou duas regiões, agora estão expandindo suas atividades para outras partes do país e da América Latina. Isso significa novas oportunidades de negócios, mas também a criação de empregos, especialmente em áreas onde as opções de trabalho são mais escassas. E quando falo de novas oportunidades, me refiro principalmente à posição de Diretoria de Operações, que tende a ser cada vez mais demandada para projetos dessa natureza.
Capítulo 02 Aspectos técnicos: diferença entre os tipos de etanol
Aqui entra um ponto interessante que nem sempre fica claro para quem está fora do setor: a produção de etanol pode ser bem diferente dependendo do tipo de matéria-prima utilizada. O etanol de cana-de-açúcar, por exemplo, tem um processo produtivo mais consolidado no Brasil, onde as condições climáticas e o know-how da indústria já estão bem estabelecidos.
Por outro lado, o etanol de milho, cuja produção está crescendo cada vez mais, especialmente no Centro-Oeste do Brasil, enfrenta desafios próprios. O milho, diferente da cana, precisa de uma logística específica para ser transportado e armazenado, e a produção também pode ser mais complexa dependendo da infraestrutura local. Esse contexto também tem influência nas lideranças que irão ocupar a cadeira de gestão de Operações, uma vez que o background profissional e as experiências em áreas e commodities específicas podem ser diferenciais importantes.
Cada uma dessas operações exige conhecimentos técnicos únicos, e a escolha entre investir em uma planta de cana-de-açúcar ou de milho depende de uma série de fatores, que vão desde o custo da matéria-prima até a localização da planta – e, claro, os objetivos da companhia. Líderes que entendem as nuances desses processos e têm a capacidade de navegar por essa ampla gama de desafios técnicos serão essenciais para garantir o sucesso dessas expansões.
Capítulo 03 Impactos no recrutamento de lideranças
Agora, um ponto chave de qualquer expansão: quem vai liderar esses projetos?
Tenho visto de perto o desafio que muitas empresas enfrentam para recrutar executivos que estejam dispostos a trabalhar em regiões distantes. Muitas das novas plantas de etanol estão localizadas em áreas interioranas, longe dos grandes centros, o que demanda executivos dispostos a enfrentar não apenas os desafios técnicos, mas também a gestão de equipes em locais com menos acesso à infraestrutura urbana.
Outro ponto importante é o perfil das empresas que estão à frente dessa expansão. Muitas delas são empresas familiares, com uma gestão mais tradicional e preocupações específicas em relação à continuidade do legado. Outras, são multinacionais ou empresas de capital aberto, que precisam de uma liderança mais focada em inovação e gestão de stakeholders.
Em qualquer um desses casos, o desafio de recrutamento é claro: precisamos encontrar líderes que não só tenham conhecimento técnico, mas também capacidade de adaptação para atuar em diferentes cenários.
A produção de etanol está em um ponto de inflexão. De um lado, vemos um aumento nas demandas por combustíveis mais sustentáveis, impulsionado por governos e consumidores que buscam alternativas aos combustíveis fósseis. De outro, temos uma expansão significativa de operações em regiões onde a gestão de profissionais e a infraestrutura podem ser grandes desafios.
Para os executivos à frente desses projetos, o sucesso dependerá, sobretudo, da capacidade de liderar em ambientes complexos, seja em uma empresa familiar no interior do Brasil ou em uma multinacional com operações em toda a América Latina. O ponto principal será encontrar líderes que possam equilibrar inovação, sustentabilidade e a gestão de operações em expansão.
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