Nos últimos anos, a construção civil brasileira passou por um processo de amadurecimento forçado. Saiu da fase de crescimento acelerado — movido por expansão territorial, obras em escala e alto volume de contratação — e entrou em um ciclo mais técnico, disciplinado e seletivo. Com o crédito escasso, a inflação persistente e o custo de capital acima dos 15% ao ano, o avanço do setor deixou de ser sobre fazer mais. Virou uma questão de fazer melhor.
Nesse novo cenário, eficiência deixou de ser só uma meta operacional. Virou parte central da estratégia. E, na construção civil, essa eficiência nasce das lideranças que estão no centro da operação.
O estudo mais recente do Evermonte Institute — o Brazil Construction Market Pulse 2026 — confirma esse movimento. De 2024 para cá, a participação de diretorias nas contratações executivas cresceu 18,1%, enquanto a de gerências caiu 31,4%. Essa troca de peso no organograma não é apenas uma reorganização hierárquica. É uma mudança na forma como o setor enxerga valor.
O relatório mapeia mais de 290 mil unidades em estoque, 19 mil novas vagas formais abertas por mês, e uma aceleração nos projetos de infraestrutura puxada por R$ 1,8 trilhão em investimentos previstos no Novo PAC. Mas, num ambiente onde o volume voltou, o diferencial passou a ser quem consegue transformar esse volume em resultado com controle de risco.
É aí que entram as diretorias de operações e tecnologia.
Essas posições concentram hoje o maior volume de demanda executiva no setor — Engenharia e Obras respondem por 33% das contratações, com Suprimentos e Finanças aparecendo logo atrás, ambos acima de 13%. E não é à toa.
O que o mercado busca são lideranças que conectam ponta a ponta: da previsão de insumos ao desembolso financeiro, do sequenciamento físico à governança contratual. Gente que entende onde está o gargalo antes dele virar desvio — e que transforma projeto em caixa, não só em cronograma.
A pesquisa também revela o perfil técnico desse novo COO de obra. Diretores de Engenharia passaram a liderar planejamento 4D/5D, com pré-fabricação integrada e analytics de produtividade rodando em tempo quase real. Diretores de Suprimentos enfrentam desafios como volatilidade de preços, padronização de contratos e rastreabilidade — e agora são medidos por TCO, não apenas por economia unitária.
Do lado financeiro, a cobrança também subiu. CFOs do setor lidam com ciclos curtos de capital de giro, integração com funding híbrido (público e privado) e exigência de compliance mais robusta. A lógica é simples: a previsibilidade operacional virou pré-requisito para crédito competitivo.
Essa virada é clara: crescimento deixou de depender só de capital. Agora depende da liderança certa.
A boa notícia? O mercado está contratando. A notícia ainda melhor? Está valorizando quem domina essa nova complexidade com clareza, consistência e resultado.
Sua próxima cadeira de diretoria pode estar aqui. A pergunta é: você está preparado para liderar em um setor que exige mais precisão, mais visão e mais entrega do que nunca?
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